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Ao vivo Grupo de 200 ataca convenção bíblica de cristãos santais na Índia e encerra encontro antes da hora
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Grupo de 200 ataca convenção bíblica de cristãos santais na Índia e encerra encontro antes da hora

Cerca de 1.900 cristãos do povo santal estavam reunidos numa igreja católica de Bengala Ocidental. Bispos pedem punição, e a diocese diz que ninguém foi preso até agora.

Por Redação F5 ao vivo
Sede da Diocese de Krishnagar, em Nadia, Bengala Ocidental, que responde pela igreja atacada em Jalalkhali
Sede da Diocese de Krishnagar, em Nadia, Bengala Ocidental, que responde pela igreja atacada em Jalalkhali Foto: Pinakpani (CC BY-SA 4.0)

Um grupo de cerca de 200 pessoas atacou a convenção bíblica anual dos cristãos santais, um povo indígena da Índia, na igreja de São Luís, no vilarejo de Jalalkhali, distrito de Nadia, estado de Bengala Ocidental. O ataque aconteceu no fim da tarde de 9 de outubro e obrigou os organizadores a encerrar o encontro antes do previsto. O caso ganhou novos detalhes nesta terça (20), em relatório da organização International Christian Concern (ICC).

O que aconteceu

Segundo o pároco, padre Jithin Muthukattil, os agressores chegaram em carros por volta das 18h, levando pedaços de bambu e tijolos. Ele atribui o ataque a ativistas do Vishwa Hindu Parishad (VHP), organização nacionalista hindu. O grupo atirou pedras, forçou a entrada no terreno da igreja, quebrou os portões montados para o evento e os vidros que protegiam as imagens, entre elas a de Jesus Cristo.

Mais de dez pessoas que tentaram impedir a invasão foram agredidas, de acordo com a agência católica UCA News. A polícia chegou cerca de uma hora depois e controlou a situação, mas não prendeu ninguém, segundo um representante da Diocese de Krishnagar, responsável pela paróquia.

Encontro de quatro dias acabou no segundo

A convenção começou em 8 de outubro e deveria durar quatro dias. Cerca de 1.900 cristãos santais da região estavam no local, segundo o pároco; a UCA News fala em mais de 2.000. Por causa do ataque e das ameaças, os organizadores encerraram tudo na manhã de 10 de outubro, depois da missa e do café. O padre contou que o encontro era feito havia 12 anos sem nenhum incidente.

O bispo de Krishnagar, dom Nirmol Vincent Gomes, classificou o caso como a pior violência já vivida pela diocese. Ele afirmou que não havia nenhuma atividade de conversão no evento e que a organização tinha todas as autorizações oficiais exigidas. A diocese registrou queixa na polícia, mas diz que ainda não viu nenhuma providência das autoridades.

Bispos cobram o governo

A Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI) condenou o ataque como violação da liberdade religiosa garantida pela Constituição indiana. A entidade pediu ao ministro do Interior, Amit Shah, e ao governo de Bengala Ocidental investigação independente, punição dos responsáveis e mais segurança para as minorias. O Conselho Cristão de Bengala começou a dar assistência jurídica às famílias atingidas e reclama da inação da polícia.

Condenamos firmemente este ataque.

Herod Mullick, fundador do Conselho Cristão de Bengala

Onda de ataques desde maio

O caso de Jalalkhali não é isolado. Segundo a ICC, o observatório India Hate Lab contou pelo menos 60 crimes de ódio contra cristãos em Bengala Ocidental entre maio e setembro de 2026, depois das eleições estaduais que levaram o BJP, partido do primeiro-ministro Narendra Modi, ao governo do estado. Mais de 50 desses casos foram invasões de igrejas, cultos domésticos e casas de cristãos; oito terminaram em agressão física ou ação organizada de multidão. Os distritos de 24 Parganas Sul e Medinipur Ocidental concentram a maior parte.

Análise F5 ao vivo

Um culto com autorização oficial, que acontecia em paz havia 12 anos, foi interrompido a pedrada, e duas semanas depois ninguém responde por isso. É esse o ponto que pesa: a agressão é grave, mas a falta de resposta do Estado é o que transforma um ataque num recado para todos os cristãos da região.

Os santais são um povo indígena, pobre e rural, e a acusação de "conversão forçada" virou a desculpa padrão para invadir reunião de oração na Índia. O bispo foi claro ao dizer que não havia nada disso ali. Quando a polícia chega uma hora depois e não prende ninguém, a liberdade religiosa que a Constituição indiana promete fica só no papel.

Vale para o mundo o que os cristãos de Bengala estão pedindo: investigação de verdade e proteção a quem só quer se reunir para ler a Bíblia e orar.

Fontes: International Christian Concern, UCA News, UCA News, AsiaNews. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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