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Ao vivo Flávio pede ao TSE a cassação de Lula por zaps em massa do governo sobre o Bolsa Família
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Flávio pede ao TSE a cassação de Lula por zaps em massa do governo sobre o Bolsa Família

Ação diz que o governo usou dados do Gov.br, do INSS e da Receita para mandar mensagens com o nome do beneficiário a quatro dias do 2º turno. PL quer liminar para parar os disparos.

Por Redação F5 ao vivo
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, onde a campanha de Flávio protocolou a ação Foto: Luiz Roberto/TSE (domínio público)

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou no Tribunal Superior Eleitoral com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o presidente Lula (PT). O pedido principal é a cassação da candidatura do petista, por causa das mensagens que o governo federal tem mandado pelo WhatsApp a quem recebe benefícios sociais. A ação foi apresentada na segunda (20) e o caso ganhou corpo nesta quarta (21), quando o Poder360 mostrou o conteúdo dos disparos.

O que diz a mensagem

Os textos chegam assinados como "GovBR" e chamam o destinatário pelo primeiro nome. Avisam a data em que o pagamento de outubro do Bolsa Família cai na conta e dizem que o benefício foi reajustado. No exemplo publicado pelo Poder360, o valor informado era de R$ 749, somando adicionais. Para parar de receber, basta responder "SAIR".

Segundo a ação do PL, os disparos não ficam só no Bolsa Família. Há mensagens sobre o Gás do Povo, o Luz do Povo e o Farmácia Popular, montadas com dados do Gov.br, do INSS e da Receita Federal. O Poder360 também encontrou envios para quem usa o aplicativo Celular Seguro.

Quantas mensagens

O governo não informa quantas mensagens manda nem quantas pessoas recebem. A ação cita um contrato do Ministério da Gestão com o Serpro, assinado em 2021 e válido até dezembro, que prevê até 170 milhões de notificações por mês em canais digitais, com custo de R$ 20,4 milhões em doze meses.

Para dar uma ideia do tamanho, o Poder360 fez uma conta hipotética: se 30% dos 43,4 milhões de inscritos no Cadastro Único recebessem duas mensagens por mês, seriam cerca de 26 milhões de envios. O Bolsa Família atende 19,3 milhões de famílias.

O calendário e o reajuste

O pagamento de outubro começou na segunda (19) e termina nesta quarta (21), quatro dias antes da votação de domingo. O calendário original ia até o dia 31. O governo diz que antecipou as datas por causa dos efeitos do El Niño.

O piso do programa subiu cerca de 15%, de R$ 600 para R$ 691. O aumento foi anunciado em 17 de setembro, 17 dias antes do 1º turno, depois de três anos sem reajuste no atual mandato. Em entrevista à Globo no dia 15, Lula disse que não tinha mexido antes porque não sabia que o valor estava congelado havia tanto tempo.

O que o PL pede

Além da cassação, a campanha de Flávio quer uma liminar para suspender novos disparos e a troca da foto de perfil da conta "GovBR" por uma identificação neutra do governo federal. O argumento é de abuso de poder político, econômico e de autoridade, com uso da máquina pública a favor da reeleição.

"Nenhum candidato de oposição tem acesso a qualquer desses recursos."

Petição da campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE

A petição também sustenta que usar dados pessoais de beneficiários para comunicação de governo em período eleitoral fere o princípio da finalidade, que limita o que o poder público pode fazer com esses dados. Até a publicação desta notícia, o governo e a campanha de Lula não tinham se manifestado sobre a ação, e o TSE não havia decidido sobre a liminar.

Análise F5 ao vivo

A Lei das Eleições é clara. O artigo 73, inciso VI, alínea b, da Lei 9.504/97 proíbe publicidade institucional de atos e programas do governo nos três meses antes da votação, salvo casos de urgência autorizados pela Justiça Eleitoral. Avisar a data de um pagamento pode ser serviço. Dizer, com o nome da pessoa e às vésperas da urna, que o benefício "foi reajustado" é outra coisa, e é exatamente isso que o TSE terá de separar.

O tribunal tem sido rápido para tirar do ar canais e perfis de apoiadores nesta eleição. O mesmo rigor precisa valer quando o emissor é o próprio governo, com cadastro de dezenas de milhões de pessoas na mão. O artigo 22 da Lei Complementar 64/90 existe justamente para o abuso do poder político e econômico, e a igualdade de condições entre candidatos é o que dá legitimidade ao resultado. Uma liminar, ao menos para parar os disparos até domingo, seria o mínimo.

Fontes: Poder360, Jornal de Brasília (com AFP). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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