Goiás chega ao 58º feminicídio do ano em Goiânia; suspeito tinha sido solto na custódia um mês antes
Damiana Maria Alves de Assunção, de 40 anos, foi morta a facadas no Parque Industrial João Braz, e o filho de 9 anos dela ficou ferido. O ex-companheiro confessou à PM, segundo a corporação, e estava com a tornozeleira rompida.

Uma mulher de 40 anos foi morta a facadas no domingo (18) dentro de uma casa na Avenida da Independência, no Parque Industrial João Braz, em Goiânia. A vítima foi identificada como Damiana Maria Alves de Assunção. Ela morreu no local.
O suspeito é o ex-companheiro dela. Durante o ataque, ele também feriu com faca o filho de Damiana, um menino de 9 anos. Com o caso, Goiás soma 58 feminicídios em 2026, segundo a contagem do portal Mais Goiás.
O menino foi levado ao Hugol
A criança foi tirada da casa e recebeu os primeiros cuidados antes de o Corpo de Bombeiros chegar. Os bombeiros encontraram o menino sentado, consciente e com muito medo, com um corte profundo no braço esquerdo. Depois de um curativo para conter o sangramento, ele foi levado ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Nome falso e tornozeleira rompida
A Polícia Militar achou o suspeito cerca de uma hora e meia depois, numa rua do Condomínio Anhanguera. Segundo a PM, ele tinha trocado de roupa e estava com a tornozeleira eletrônica rompida. Na abordagem, disse que estava sem documentos e deu um nome falso.
A farsa caiu quando os policiais consultaram o sistema e viram que a foto ligada ao nome informado não era a dele. Questionado de novo, ele disse quem era. Conforme a PM, o homem confessou ter matado a ex-companheira e ferido o menino. Ele foi preso e levado à Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem). A Polícia Civil investiga o caso.
Já tinha sido preso por violência doméstica
De acordo com o Mais Goiás, o mesmo homem tinha sido preso em 25 de setembro por violência doméstica e foi solto no dia seguinte, na audiência de custódia. Menos de um mês depois, a ex-companheira estava morta.
O padrão se repete no estado. Em setembro, o 56º feminicídio de Goiás, em Anicuns, também teve como suspeito um homem que já tinha sido preso em 2025 por agredir a mesma mulher, segundo o Metrópoles. Na época, ele estava foragido.
Onde pedir ajuda
- Em perigo agora: ligue 190, da Polícia Militar.
- Para orientação e denúncia, inclusive anônima: Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, de graça e 24 horas.
- Em Goiânia, a Deaem e as delegacias da mulher registram a ocorrência e encaminham o pedido de medida protetiva.
Análise F5 ao vivo
Damiana não morreu por falta de aviso. O homem apontado como autor já tinha passado pela polícia por violência doméstica em setembro, foi solto em 24 horas e, segundo a PM, estava com a tornozeleira rompida quando foi achado. O sistema sabia quem ele era. A pergunta que fica é por que esse aviso não virou proteção.
A lei já dá ferramenta. Desde 2024 o feminicídio é crime próprio no Código Penal (art. 121-A), com pena de 20 a 40 anos, e a Lei Maria da Penha permite prisão preventiva de quem descumpre medida protetiva. Audiência de custódia existe para impedir prisão ilegal, e isso é certo. O que não pode é soltar sem saber se a vítima vai estar segura, e deixar uma tornozeleira rompida sem resposta imediata.
São 58 mulheres mortas em Goiás em menos de dez meses. Cada caso em que o agressor já era conhecido deveria ser revisto pela Justiça, pelo Ministério Público e pela Secretaria de Segurança: quem soltou, com que condição, e quem devia ter visto o alarme da tornozeleira tocar.
Fontes: Portal 6, Mais Goiás, Metrópoles. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






