Chuva chega a Goiás com 108 mil casos de dengue e chikungunya quatro vezes maior que em 2025
Estado soma 17% mais casos de dengue que no ano passado, e quase 4 em cada 10 adolescentes vacinados estão com a segunda dose atrasada. Veja o que fazer em casa neste fim de semana de temporal.

Goiás entra no período das chuvas com a dengue em alta. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) contabiliza 108.673 casos confirmados de dengue em 2026, 17% a mais que no mesmo período do ano passado. Os números foram divulgados na sexta-feira (16).
A chikungunya preocupa ainda mais. São 11.311 casos confirmados no estado neste ano, alta de 343% em relação a 2025. No balanço anterior, divulgado no início do mês, a SES-GO informava 81 mortes por dengue em 2026.
Por que agora
A combinação de chuva e calor favorece o Aedes aegypti, e a própria secretaria admite que isso pode antecipar o pico de transmissão. Neste sábado (17), o Inmet mantém alerta amarelo de tempestade para Goiânia e cidades do Centro Goiano, com previsão de até 50 milímetros de chuva por dia. Água parada depois do temporal vira criadouro em poucos dias.
Goiânia
Na capital, o informe da Secretaria Municipal de Saúde de 30 de setembro registrava 33.364 casos confirmados de dengue, 20,8% acima de 2025. A chikungunya saltou de 166 para 763 casos confirmados, com uma morte neste ano. Os bairros com mais casos eram Parque Atheneu, Urias Magalhães, Pedro Ludovico e Jardim Novo Mundo, que recebem ações reforçadas.
O que o Estado está fazendo
- 20 carros de fumacê distribuídos entre as regionais de saúde, além de 709 nebulizadores motorizados e 372 pulverizadores manuais
- 5.736 armadilhas para monitorar ovos do mosquito em 104 municípios
- 3.278 estações que espalham larvicida, 2 mil delas em Caldas Novas, onde a chikungunya é mais forte
- Soltura de mosquitos com Wolbachia, bactéria que reduz a transmissão, já em Valparaíso, Luziânia e Anápolis; Aparecida de Goiânia e Trindade estão na fila
O enfrentamento ao Aedes exige um esforço conjunto entre Estado, municípios e população
Rasível Santos, secretário de Estado da Saúde
Vacina parada na segunda dose
A vacina contra a dengue está disponível pelo SUS para quem tem de 10 a 14 anos, em duas doses com três meses de intervalo. Foram aplicadas 402.915 doses, mas a cobertura da primeira dose está em 54,84% e 39,91% dos adolescentes estão com a segunda dose atrasada. Quem começou o esquema deve procurar a unidade de saúde para completar.
O que fazer em casa
- Esvaziar recipientes que acumulam água depois da chuva, como vasos, pneus e garrafas
- Limpar calhas e manter a caixa-d'água tampada
- Trocar a água dos bebedouros dos animais com frequência
- Procurar atendimento em caso de febre alta, dor no corpo e dor atrás dos olhos
Análise F5 ao vivo
Os números mostram que o problema não esperou a chuva: Goiás chega a outubro com mais casos que em 2025, e a temporada de transmissão mais forte ainda está começando. Fumacê e armadilha ajudam, mas a maior parte dos criadouros está dentro dos quintais.
O dado que mais chama atenção é a vacina. Quase quatro em cada dez adolescentes que tomaram a primeira dose não voltaram para a segunda, e sem ela a proteção fica pela metade. É o tipo de falha que uma busca ativa nas escolas resolveria antes do pico.
Fontes: Governo de Goiás / SES-GO, O Hoje, O Tempo (alerta do Inmet). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






