Deputada eleita no DF, Estéfane Sampaio diz que a eleição é guerra espiritual além de política
Aos 25 anos, a distrital eleita pelo Republicanos com 45.558 votos diz que entrou na política pela mão de Deus. A fala chega na semana em que líderes católicos e evangélicos rejeitam a ideia de uma guerra entre as duas igrejas.

A deputada distrital eleita Estéfane Sampaio (Republicanos) disse nesta sexta-feira (16) que vê a disputa eleitoral deste ano como uma batalha que passa da política para o campo espiritual. A declaração foi dada em entrevista ao Metrópoles, publicada no começo da noite.
"guerra do bem contra o mal, é uma luta espiritual muito além do que uma guerra política"
Estéfane Sampaio, deputada distrital eleita
Estéfane tem 25 anos e foi a quinta mais votada para a Câmara Legislativa do Distrito Federal em 4 de outubro, com 45.558 votos, segundo a lista dos 24 distritais eleitos. Ela toma posse em 2027.
Fé como ponto de partida
Na entrevista, a deputada contou que a entrada na vida pública não foi um plano pessoal. Resumiu a trajetória dizendo que "foi muita mão de Deus" e que o compromisso dela é com os eleitores e com Deus, algo que chamou de inegociável. Por isso, afirmou que não pretende fazer acordos de cargos com outros parlamentares nem com o governo do DF.
A principal pauta anunciada é a educação. Estéfane quer combater o que chama de ideologia de gênero em escolas e universidades do Distrito Federal e defende que a família decida o que os filhos aprendem sobre o tema. Ela também se apresentou como aliada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no DF.
Católicos e evangélicos no meio da disputa
A fala aparece numa semana em que o uso da fé na campanha virou assunto entre os próprios cristãos. Vídeos nas redes passaram a ligar casos de intolerância religiosa à eleição e a falar numa suposta guerra entre católicos e evangélicos, segundo levantamento do portal cristão Guiame.
A onda começou depois de uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida. Circulou que haveria uma mobilização evangélica para tirar dela o título de padroeira do Brasil. A origem era um projeto de lei de 2007, já arquivado. A GloboNews, que deu a informação no ar em 24 de setembro, corrigiu o erro na mesma noite e pediu desculpas.
Em 28 de setembro, o Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que reúne cerca de 10 mil pastores, publicou nota negando qualquer movimento para retirar símbolos ou feriados dos católicos. O texto teve 14 assinaturas, entre elas a de Silas Malafaia.
No domingo (12), em Aparecida (SP), a Igreja Evangélica Vida Nova repetiu pelo 21º ano o acolhimento aos romeiros, com água, café, lanche, massagem e enfermagem de graça nas tendas montadas desde as 4h. Na mesma festa, o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, pediu respeito às diferenças e alertou contra o uso da religião para dividir o país.
Análise F5 ao vivo
A fé de quem foi eleito é um direito. A Constituição garante a liberdade de crença no art. 5º, VI, e nenhum parlamentar precisa deixar a Bíblia na porta da Câmara Legislativa. Falar em batalha espiritual é linguagem comum em boa parte das igrejas evangélicas, e o eleitor do DF sabia em quem votava.
O cuidado está em outro ponto. Quando a disputa vira guerra, o outro lado vira inimigo, e quem está do outro lado muitas vezes é o irmão de fé sentado no banco da igreja vizinha. As tendas da Vida Nova em Aparecida mostram que católicos e evangélicos sabem conviver melhor do que os vídeos das redes fazem parecer.
Fica o teste para Estéfane e para todos os eleitos que falam em nome da fé: entregar mandato com a mesma firmeza do discurso, sem fazer da igreja palanque e sem fazer do adversário um demônio.
Fontes: Metrópoles, Portal Tela (lista dos distritais eleitos), Guiame. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






