Em Juiz de Fora, Lula diz que Minas vira "cemitério de obras" se ele perder
Duas semanas depois da visita cancelada pela chuva, o presidente fez caminhada em carro aberto, mandou recado a Cleitinho, criticou a família Bolsonaro e seguiu para Ipatinga.

O presidente Lula (PT) voltou a Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, nesta sexta-feira (16) e fez uma caminhada de campanha em carro aberto pela Avenida Getúlio Vargas, no Centro. A nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a cidade estava sob alerta laranja do Inmet para tempestade, com rajadas de até 80 km/h e risco de granizo.
A volta tem um motivo. Em 30 de setembro, Lula chegou a desembarcar no aeroporto regional, em Goianá, mas a chuva forte impediu o helicóptero de decolar até Juiz de Fora e a agenda foi cancelada por segurança.
Atraso por causa da 6x1
Os apoiadores estavam na Praça Clodesmidt Riani, a Praça do Riachuelo, desde as 10h. A caminhada estava marcada para o meio-dia, mas Lula só desceu de helicóptero no campo do Sport, na Avenida Brasil, por volta das 13h40, com a primeira-dama Janja. O atraso veio da sessão do Congresso em Brasília que promulgou de manhã a emenda que acaba com a escala 6x1.
No carro estavam a prefeita Margarida Salomão (PT), a senadora eleita Marília Campos, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador eleito Rui Costa. Também acompanharam o ministro Alexandre Silveira, os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia e o deputado André Janones. Não há contagem oficial de público.
O que Lula disse
Nesta cidade, não sabemos o que é derrota
Lula, na abertura do discurso
Sobre o fim da 6x1, o presidente afirmou que a mudança não vai trazer prejuízo nem para o trabalhador nem para o empresário. Ele também criticou a família Bolsonaro, dizendo que destruir é fácil, e pediu que quem não votou no primeiro turno volte às urnas. Margarida e Rui Costa pediram que os mais jovens levem os avós para votar.
Recado a Cleitinho
No fim da caminhada, Lula falou sobre Cleitinho Azevedo, eleito governador de Minas no primeiro turno. Reconheceu a vitória, disse que ele não precisa apoiá-lo e que só tem a ganhar se ficar quieto na disputa presidencial.
Isso aqui vai ficar um cemitério de obras paralisadas
Lula, sobre Minas caso ele perca a eleição
O ato terminou por volta das 15h15, quando Lula anunciou que seguiria para Ipatinga, no Vale do Aço, onde tinha a segunda caminhada do dia, no bairro Canaã. Ipatinga também estava sob alerta laranja do Inmet. Na noite desta sexta, o entrevistado da sabatina da Globo é o adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Análise F5 ao vivo
A frase do cemitério de obras é o ponto que merece atenção. Obra federal tem contrato, orçamento aprovado pelo Congresso e fiscalização do TCU. Ela não pertence a quem ocupa o Planalto, e o artigo 37 da Constituição manda a administração agir com impessoalidade. Dizer que um estado perde investimento conforme o resultado da urna trata dinheiro público como se fosse da campanha.
O recado a Cleitinho vai na mesma linha. Pedir que um governador eleito fique quieto, sob a sombra das obras, soa mais como pressão do que como diálogo entre entes da federação. Minas votou em outro projeto para o estado e tem direito a ser tratada com a mesma régua de qualquer outro.
Juiz de Fora é governada pelo PT, e a volta depois do cancelamento era previsível. O que a caminhada mostrou é uma campanha que aposta em comparecimento, chamando quem faltou no primeiro turno, num estado decisivo e com um placar nacional apertado nas pesquisas.
Fontes: Tribuna de Minas, O Tempo, Acessa.com, Metrópoles. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






