IA da Meta no WhatsApp barrou arte com Lula e liberou com Flávio; campanha vai ao TSE
Testes mostraram a Meta AI recusando imagem com o nome e o número de Lula e gerando a mesma peça com Flávio. A coligação do petista pediu urgência ao TSE nesta quarta.

A Meta AI, assistente de inteligência artificial que fica dentro do WhatsApp, virou assunto nesta quarta-feira (14) depois que testes mostraram um tratamento diferente para os dois candidatos do segundo turno. Um pedido de arte com o nome de Lula e o número de urna dele foi recusado. O mesmo pedido com o nome de Flávio Bolsonaro e o número dele saiu na hora, em verde e amarelo.
Os testes foram feitos pelo Poder360 e repetidos por usuários nas redes. Horas depois, a coligação de Lula levou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral.
O que a IA respondeu
A regra da própria ferramenta é não gerar imagens de campanha com os nomes dos candidatos. Pelo que os testes mostraram, o bloqueio pegou "Lula", "Bolsonaro" e "Flávio Bolsonaro", mas deixou passar o primeiro nome "Flávio" sozinho.
Tive um problema técnico na hora de gerar essa imagem e ela não saiu.
Meta AI, ao explicar a recusa no teste do Poder360
A ferramenta também disse que não tinha detalhes sobre o que aconteceu nos bastidores.
O que a campanha pede
A petição da coligação fala em "seletividade algorítmica" e diz que a Meta restringe publicações e anúncios de Lula e de apoiadores, enquanto entrega mais os conteúdos ligados a Flávio. O texto cita o alcance de vídeos do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), comparado ao de celebridades internacionais.
- Fim imediato das restrições aos conteúdos da campanha
- Derrubada de perfis que a coligação chama de inautênticos
- Devolução em dobro do alcance que diz ter perdido, paga pela própria Meta, antes do dia da votação
O que a Meta diz
A empresa não respondeu ao Poder360 nem à Agência Brasil sobre o caso da IA até a publicação das reportagens. Na disputa anterior sobre o alcance dos posts, que corre no TSE desde a semana passada com o ministro Marco Aurélio Bellizze, a Meta negou favorecimento a qualquer candidato e atribuiu parte das falhas a problemas técnicos. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro.
Análise F5 ao vivo
Uma regra de bloqueio que vale para um nome e escapa no outro é falha de programação, até prova em contrário. A Meta precisa explicar o furo, corrigir e mostrar que a trava funciona igual para os dois lados. Empresa que se dispõe a filtrar conteúdo eleitoral responde pelo filtro que montou.
O pedido da campanha, porém, vai além de corrigir o erro. Mandar uma plataforma "devolver em dobro" alcance a um candidato, com dinheiro dela, a 11 dias da eleição, é transformar o tribunal em gerente de algoritmo. Isso pede prova técnica, não impressão de quem perde engajamento.
O TSE tem os registros que já mandou a Meta guardar. Que decida com base neles, rápido e às claras, sem tirar do ar conta nenhuma sem fundamento. A Constituição protege a livre manifestação e proíbe a censura (art. 5º, IX, e art. 220), e isso vale para os eleitores dos dois candidatos.
Fontes: Poder360, Metrópoles, Agência Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






