Pular para as notícias
Ao vivo Morador de Goiânia morre após ser picado por formigas em pescaria em São João da Paraúna
No Instagram
Opinião

Editorial: Lula pressiona o TSE e o TSE decide sozinho; quem perde é a Constituição

Depois da missa no Alvorada, Lula disse que o TSE extrapola e que Kassio não pode ter lado. O caso do canal no WhatsApp mostra dois vícios ao mesmo tempo: o presidente candidato que pressiona a corte e a corte que decide de uma cabeça só.

Por Editorial F5 ao vivo
Lula no plenário do TSE ao lado da ministra Cármen Lúcia, em junho de 2024
Lula no plenário do TSE na posse de Cármen Lúcia e Nunes Marques, em junho de 2024 Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 2.0)

Nesta segunda-feira (12), depois de uma missa pelo dia de Nossa Senhora Aparecida na capela do Palácio da Alvorada, o presidente Lula falou a jornalistas sobre o Tribunal Superior Eleitoral. Disse que a corte está extrapolando em decisões contra a campanha dele e mirou o presidente do tribunal, o ministro Kassio Nunes Marques.

"O que não pode é o presidente da Suprema Corte eleitoral ter lado na política."

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

O motivo imediato é o canal Exército do Lula, criado no WhatsApp pelo deputado André Janones (Rede-MG), com mais de 3,7 milhões de seguidores. No domingo (11), Kassio mandou suspender o canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de espalhar conteúdo falso. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, mandou o canal voltar e levou o caso ao plenário, pedindo julgamento de preferência em até 24 horas.

Nesta segunda, Kassio ainda pediu à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE uma análise urgente do canal. Segundo o SBT News, o relatório técnico não achou publicações com informação falsa, mas apontou sinais de mobilização coordenada para ampliar o alcance de conteúdos. Na terça (13), Kassio recebe as duas campanhas para tentar baixar a temperatura antes do segundo turno.

O presidente que fala como candidato

Lula tem direito de discordar de uma decisão judicial e de recorrer dela. O que preocupa é o lugar e o tom. A fala saiu da residência oficial, logo depois de um ato religioso, e tratou o tribunal como adversário de campanha. Quem ocupa a Presidência fala também em nome do Estado, e o artigo 2º da Constituição manda os Poderes serem independentes e harmônicos entre si. Dizer em público que o chefe da corte eleitoral tem lado, a 13 dias da votação, é colocar em dúvida o árbitro antes do apito final.

Também pesa a promessa de responder com mais canais. Lula disse que pode criar um Exército, Marinha e Aeronáutica do Lula no WhatsApp, a forma mais barata de fazer campanha, nas palavras dele. Ironia de palanque, mas dita por quem comanda as Forças Armadas de verdade.

O tribunal que decide de uma cabeça só

Do outro lado, o TSE também não sai bem. Segundo o Metrópoles, Kassio mandou derrubar o canal sem esperar o prazo que o próprio Cueva tinha dado às partes para mandar mais informações. Um ministro tira do ar um canal com milhões de pessoas; outro, horas depois, devolve. O plenário, que é quem deveria decidir, fica para depois.

O artigo 5º, incisos IV e IX, garante a livre manifestação do pensamento, e o artigo 220 proíbe qualquer censura de natureza política. O artigo 93, inciso IX, exige que toda decisão judicial seja fundamentada. Tirar do ar um canal inteiro, e não uma mensagem específica comprovadamente falsa, antes de qualquer análise técnica, é medida extrema. Ainda mais quando a própria área técnica do tribunal, depois, não acha a mentira que motivou a ordem.

Análise F5 ao vivo

A crítica deste portal à Justiça Eleitoral não muda de lado conforme o alvo. Censura prévia de canal inteiro era errada quando atingia perfis de direita e continua errada quando atinge um canal do PT. Mensagem falsa se combate com remoção da mensagem, direito de resposta e julgamento colegiado, não com uma canetada noturna de um ministro sozinho.

Isso não absolve o presidente. Decisão individual de ministro contra adversários políticos nunca foi problema para o governo enquanto o alvo era o outro lado. Quem só enxerga o vício do método quando ele bate na própria porta perde autoridade para reclamar. A regra precisa valer para todos: menos decisão individual, mais plenário, e um chefe de Estado que respeite o árbitro mesmo quando perde uma rodada.

O plenário do TSE tem a chance de pôr ordem nisso nas próximas horas. Que decida com base no que o relatório técnico encontrou, e não no barulho de quem grita mais alto.

Fontes: SBT News, Metrópoles, Jornal de Brasília, Constituição Federal. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

Gostou? Mande para quem precisa saber

Veja também