Um mês depois do prédio que matou seis na Penha, engenheiro e dona da construtora seguem foragidos
Cristiano Vivacqua e Isis Brandão, indiciados por homicídio com dolo eventual, não se entregaram. O pai dele segue preso, e clientes da New Home somam mais de R$ 4 milhões em imóveis não entregues.

O desabamento do prédio em construção na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo, completou um mês nesta segunda-feira (12). Os dois principais responsáveis pela obra, segundo a Polícia Civil, ainda não foram encontrados.
O engenheiro Cristiano Salgado Vivacqua, apontado como responsável técnico pela execução, e a arquiteta Isis de Freitas Rodrigues Brandão, representante legal da construtora New Home, são procurados desde o dia da tragédia. A defesa chegou a dizer que os dois se apresentariam, o que não aconteceu até agora.
O que aconteceu
O prédio desabou por volta das 2h de 12 de setembro, numa madrugada de chuva, e caiu sobre a casa vizinha. Oito pessoas estavam no imóvel. Seis morreram: três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos. Duas foram resgatadas com vida.
A Prefeitura já retirou parte dos escombros da rua. No local restou parte de um caminhão que estava estacionado em frente à casa atingida, que foi destruída por completo.
Quem responde pelo caso
A Polícia Civil indiciou três pessoas por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar:
- Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano, apontado como sócio oculto da New Home. Está preso desde 13 de setembro, e a Justiça paulista renovou a prisão na quinta-feira (8). Ele nega ligação com a empresa.
- Cristiano Salgado Vivacqua, engenheiro da obra e dono da Hastiforme Projetos e Construção. Foragido.
- Isis de Freitas Rodrigues Brandão, dona da New Home e mulher de Cristiano. Foragida.
A servidora da Subprefeitura da Penha Viviane Rodrigues de Palma, que em 2024 atestou a demolição da estrutura antiga e liberou a continuidade da obra, também é investigada e foi afastada do cargo. Em 24 de setembro, a polícia cumpriu oito mandados de busca em empresas ligadas ao grupo em São Paulo e no Guarujá e levou celulares, computadores e documentos para perícia.
A obra já era irregular
Segundo a Prefeitura, a construção foi autuada e interditada por falta de alvará em 2019. Em 2021, o município foi à Justiça para impedir que ela avançasse. Depois da queda, a Prefeitura paralisou 29 empreendimentos das construtoras investigadas, de acordo com o g1.
Clientes sem casa e sem dinheiro
Há uma segunda investigação, por estelionato. Um grupo de cerca de 20 compradores de imóveis da New Home e da Hastiforme diz ter pago e nunca recebido as chaves, com obras prometidas desde 2023. Somados, os prejuízos passam de R$ 4 milhões, segundo os próprios clientes. Há boletins de ocorrência no 10º e no 24º DP, e quatro inquéritos abertos na Penha.
Um dos casos é o de um comerciante que vendeu o apartamento da família para dar entrada num sobrado de R$ 650 mil num condomínio na Avenida Padres Olivetanos. Pagou mais de R$ 380 mil, a obra foi embargada pela Justiça em abril de 2025 por risco a uma escola infantil vizinha, e ele hoje mora de aluguel enquanto processa a empresa.
Análise F5 ao vivo
Seis pessoas morreram, e quem a polícia aponta como responsável técnico e dona da obra continua solto um mês depois. Prisão decretada que não se cumpre vira recado ruim para quem constrói fora da lei na periferia de São Paulo.
O caso também cobra a Prefeitura. A obra foi interditada em 2019, levada à Justiça em 2021 e mesmo assim seguiu de pé até cair, com um papel de 2024 dizendo que a demolição estava feita. Paralisar 29 obras depois da tragédia é correto, mas a fiscalização tinha que ter funcionado antes.
Quem vai comprar imóvel na planta deve pedir o alvará de construção e o registro de incorporação no cartório antes de pagar a entrada. Sem esses dois papéis, o risco é perder o dinheiro e não ter a casa.
Fontes: g1 SP, Metrópoles, Tribuna do Sertão (indiciamento). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





