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DJ Dani Brasil é indiciado por homicídio após fugir da PM bêbado e arrastar morador de rua em Santo Amaro

Carlos Alberto Minotti, de 57 anos, foi arrastado por cerca de 400 metros pela BMW do DJ, que fugia de uma ordem de parada na Zona Sul. O bafômetro marcou 0,71 mg/L, mais que o dobro do limite do crime.

Por Redação F5 ao vivo
Avenida Padre José Maria, em Santo Amaro, com a via elevada do trem ao fundo
Avenida Padre José Maria, em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, onde começou a fuga; foto de arquivo Foto: Geogast (CC BY-SA 4.0)

O DJ Daniel Santana de Jesus, conhecido como Dani Brasil, foi indiciado pela Polícia Civil nesta sexta-feira (9) por homicídio com dolo eventual, desobediência e embriaguez ao volante. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele atropelou e matou o morador em situação de rua Carlos Alberto Minotti, de 57 anos, enquanto fugia de uma abordagem da Polícia Militar em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo.

Como foi a fuga

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais que voltavam para a base viram uma BMW na contramão da Avenida Padre José Maria por volta das 6h10. Deram ordem de parada, e o motorista acelerou. Na perseguição, ele furou semáforos, rodou pela contramão também na Avenida Paulo Eiró, passou pela Marginal e voltou para a Padre José Maria, mesmo com outras viaturas já no encalço.

Carlos dormia na calçada, embaixo do trecho elevado da Linha 5-Lilás do metrô. O carro o atingiu e o levou preso por baixo por cerca de 400 metros, até arrombar o portão do Centro Esportivo Santo Amaro, o clube municipal Joerg Bruder, na Rua Humboldt. Câmeras de segurança gravaram o atropelamento e o trajeto.

Sem como seguir com o carro, o motorista saiu a pé, pulou a grade da piscina do clube e foi encontrado pelos policiais dentro da água. Recebeu voz de prisão ali mesmo e foi levado ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.

Socorro e bafômetro

Equipes de resgate tiraram Carlos de baixo da BMW e fizeram manobras de reanimação no local. Ele foi levado em estado grave para a UPA Santo Amaro, mas morreu. O corpo foi para o Instituto Médico Legal.

O teste do etilômetro registrou 0,71 miligrama de álcool por litro de ar, segundo o boletim de ocorrência. Na primeira informação da PM, pela manhã, o índice divulgado era de 0,6. O motorista ficou em silêncio.

Tava embriagado. Foi realizado o teste do etilômetro, com resultado 0,71, bem acima do permitido

Sargento De Paula, da Polícia Militar, à TV Globo

O companheiro de Carlos havia cerca de dois anos dormia numa barraca ali perto. Ele contou à polícia que ouviu o estrondo, viu o carro passar arrastando a vítima e correu atrás gritando até o clube. À TV Globo, pediu justiça. Carlos costumava dizer que tinha parentes em Jundiaí e Araraquara, no interior.

Quem é o motorista

Dani Brasil tem cerca de 130 mil seguidores no Instagram. Pela biografia no Spotify, atua como DJ desde 2017 e já tocou em mais de 20 países; tinha duas apresentações marcadas em São Paulo em outubro. A defesa não tinha se manifestado até a publicação desta notícia.

O que diz a lei

  • Dirigir com álcool é infração gravíssima (art. 165 do Código de Trânsito): multa de R$ 2.934,70 e suspensão da habilitação por 12 meses.
  • A partir de 0,3 mg/L no bafômetro já é crime (art. 306 do CTB), com detenção de 6 meses a 3 anos, mesmo sem acidente.
  • Com o indiciamento por homicídio com dolo eventual, a polícia entende que o motorista assumiu o risco de matar. Se o Ministério Público denunciar nesses termos, o caso vai a júri popular, com pena de 6 a 20 anos (art. 121 do Código Penal).

Análise F5 ao vivo

Esse caso junta três escolhas: beber, dirigir e fugir da polícia pela contramão às seis da manhã. Nenhuma delas foi acidente. Por isso a Polícia Civil fez certo ao tratar a morte como homicídio com dolo eventual, e não como crime culposo de trânsito, cuja pena é bem menor.

Carlos dormia na calçada porque não tinha outro lugar. A cidade que o deixou ali agora precisa garantir que a morte dele tenha a mesma resposta que teria a de qualquer outro paulistano. O companheiro dele pediu justiça na frente das câmeras, e a família ainda nem foi localizada.

Fica o recado para quem mora em São Paulo e sai de balada de carro: o bafômetro dá crime a partir de 0,3, e fugir de blitz só aumenta o estrago. Aplicativo e táxi custam muito menos que uma vida e que anos de cadeia.

Fontes: g1 SP: indiciamento, g1 SP: prisão em flagrante, CNN Brasil, Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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