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Aneel tem 2 votos para tirar a Enel de SP, mas pedido de vista adia a decisão

A relatora e mais uma diretora votaram por recomendar o fim da concessão que leva luz a cerca de 8 milhões de pessoas na Grande SP. O diretor Gentil Nogueira pediu mais tempo e o caso ainda não tem data para voltar.

Por Redação F5 ao vivo
Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, às escuras durante um apagão
Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, durante um apagão (imagem de arquivo) Foto: Silvio Tanaka (CC BY 2.0)

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começou a julgar nesta terça-feira (6) o processo que pode levar ao fim do contrato da Enel Distribuição São Paulo. A decisão, porém, ficou para depois: o diretor Gentil Nogueira de Sá Júnior pediu vista, ou seja, mais tempo para estudar o caso.

Antes da pausa, o placar já estava em 2 a 0 pela recomendação de caducidade, nome técnico para a extinção da concessão por descumprimento do contrato. Votaram assim a relatora, Agnes Maria de Aragão da Costa, e a diretora Ludimila Lima da Silva. Faltam os votos de três diretores.

A recomendação de caducidade não foi a primeira resposta regulatória dada às falhas da concessionária

Agnes da Costa, diretora relatora da Aneel

Quem é atingido

A Enel distribui energia na capital paulista e em outros 23 municípios da Região Metropolitana, para cerca de 8 milhões de pessoas. O contrato atual vai até 2028.

Para quem paga a conta de luz, nada muda por enquanto. Mesmo que a Aneel aprove a recomendação, quem decide se o contrato acaba é o Ministério de Minas e Energia. Pelo voto da relatora, a agência apenas manda o caso ao ministério dizendo que esgotou os instrumentos que tinha para obrigar a empresa a corrigir as falhas.

Por que o processo existe

O processo foi aberto em abril, depois de três grandes apagões ligados a temporais: novembro de 2023, outubro de 2024 e dezembro de 2025. No de 2024, com rajadas acima de 100 km/h, a própria Enel informou 3,1 milhões de clientes afetados.

Sobre dezembro de 2025, a fiscalização da Aneel contou 6.715 ocorrências de falta de luz só no dia 10. Quase metade delas (46%) levou mais de 24 horas para ser resolvida, atingindo cerca de 759 mil unidades consumidoras. O caso mais longo passou de 142 horas, quase seis dias sem energia.

Entre os problemas apontados estão equipes concentradas no horário comercial, menos gente à noite e de madrugada, poucos caminhões de grande porte e poda deficiente das árvores perto da rede. Em agosto, a Aneel negou por unanimidade um recurso da Enel e recusou o pedido de uma perícia independente. Em setembro, a Justiça de São Paulo também reconheceu falhas da empresa no apagão de dezembro.

O que diz a Enel

A concessionária contesta as conclusões. Afirma que o vento forte e prolongado foi a principal causa dos danos, que religou 2,5 milhões de unidades em nove horas e que, em 24 horas, 80% dos clientes afetados já tinham luz. Diz ainda que seus indicadores de emergência melhoraram e são parecidos com os de outras grandes distribuidoras.

E agora

Ainda não há data para a retomada do julgamento. Segundo o Canal Solar, a expectativa é que o processo volte à pauta depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Até lá, a Enel segue responsável pela rede, inclusive na temporada de chuvas que começa agora.

Análise F5 ao vivo

O paulistano já conhece o roteiro: vem o temporal, cai a árvore, some a luz e a espera vira dias. Foram três vezes em três anos. A própria fiscalização da agência descreveu uma empresa que reduz equipe justamente no horário em que a tempestade costuma bater. Não é azar com o clima, é planejamento.

O pedido de vista é um direito do diretor e o caso é complexo, com contrato bilionário e risco de transição mal feita. Mas cada adiamento joga a decisão para dentro de mais uma estação de chuvas. Quem mora na capital ou na Grande SP e já perdeu comida na geladeira ou ficou sem água no prédio sabe o que isso significa.

Seja qual for o desfecho, o mínimo é que a Enel chegue a este verão com equipe de plantão à noite, caminhões na rua e poda em dia. Isso não depende de voto em Brasília. Depende de a empresa cumprir o que já está no contrato.

Fontes: g1 SP, SBT News, InfoMoney, Canal Solar. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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