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Quatro PMs disparam 45 vezes e matam jovem em surto em Moema; objeto na mão dele era um celular

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por pelo menos 27 tiros na madrugada de sábado (10). A PM tinha sido chamada porque ele ameaçava tirar a própria vida. Armas e câmeras corporais foram apreendidas.

Por Redação F5 ao vivo
Viaturas da Polícia Militar de São Paulo, em imagem de arquivo
Viaturas da Polícia Militar de São Paulo, em imagem de arquivo Foto: Alexandre Carvalho/A2img (CC BY 2.0)

Um chamado para socorrer um rapaz em crise terminou com ele morto a tiros por policiais militares na Zona Sul de São Paulo. Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por pelo menos 27 disparos na madrugada de sábado (10), na Alameda dos Guaramomis, em Moema, perto da Avenida Moreira Guimarães.

Segundo o boletim de ocorrência, quatro PMs atiraram 45 vezes com pistolas calibre .40. O objeto que os policiais disseram ter confundido com uma arma era um celular Samsung, achado pela perícia ao lado do corpo. Gustavo não tinha antecedentes criminais, de acordo com a Polícia Civil.

Como foi a abordagem

O Centro de Operações da PM recebeu o chamado por volta das 2h35. A informação era de um homem transtornado, que ameaçava tirar a própria vida. Quatro viaturas foram para o local.

Pela versão dos policiais registrada no boletim, Gustavo pôs a mão na cintura quando a primeira equipe chegou, correu por uma passarela e se escondeu no recuo de um imóvel comercial. Depois, saiu de uma área escura e estendeu os braços na direção dos agentes segurando um objeto escuro. Foi nesse momento que os quatro abriram fogo, por volta das 2h45. Outros quatro PMs das viaturas de apoio não atiraram.

O que a perícia achou

  • Pelo menos 27 ferimentos de bala, na cabeça, no rosto, no tórax, nos braços, nas mãos e nas pernas.
  • 44 cápsulas recolhidas em quatro pontos, que indicam onde cada policial estava.
  • 13 fragmentos de projéteis e cerca de 10 marcas de tiro na fachada do imóvel em frente.
  • Pelo boletim, um policial disse ter disparado 14 vezes, outro 13, outro 12 e o quarto, 6.

O corpo ficou na rua por mais de dez horas e só foi levado ao Instituto Médico Legal às 11h04. A mãe e parentes passaram a manhã no local.

Quem era Gustavo

Ele morava com a mãe e as irmãs. A família contou aos investigadores que o jovem enfrentava dependência química, fazia tratamento psiquiátrico e tomava antidepressivo desde o ano passado. Um vizinho que o conhecia desde criança disse à TV Globo que ele trabalhava num hospital e consertava as bicicletas dos vizinhos.

É um moleque bom, gente boa

Eguinaldo Ferreira, vizinho, à TV Globo

O que acontece agora

O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa como resistência e morte decorrente de intervenção policial. A Secretaria da Segurança Pública informou que as polícias Civil e Militar investigam, com um Inquérito Policial Militar sobre a conduta dos agentes. As quatro pistolas vão para exame de balística, e o delegado pediu a íntegra das câmeras corporais. Uma primeira olhada nas imagens, citada no boletim, mostra o momento em que o jovem sai da área escura com os braços estendidos. O laudo final do IML ainda não saiu.

Análise F5 ao vivo

A polícia foi chamada para impedir que um rapaz de 20 anos morresse e ele morreu nas mãos dela. Esse é o fato que a investigação precisa explicar, sem pressa de condenar e sem pressa de arquivar. Quatro agentes, 45 tiros e um celular no chão pedem uma resposta que vá além da versão dos próprios policiais no boletim.

São Paulo tem câmera corporal na farda justamente para casos assim. As imagens já estão com o delegado. Divulgar o que elas mostram, assim que a apuração permitir, protege a família, protege o cidadão e protege também o policial que agiu certo. Esconder só alimenta desconfiança.

Fica ainda uma pergunta de serviço para o governo do estado: qual é o protocolo da PM quando o chamado é de alguém em crise de saúde mental? Ocorrência de surto não é ocorrência de assalto. Se o treinamento trata as duas do mesmo jeito, outras famílias vão passar pelo que a de Gustavo passou.

Fontes: g1 SP, g1 SP: o que se sabe e o que falta saber, Folha de S.Paulo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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