Bombeiros do AM dizem que União negou aviões; um dia depois, Lula anuncia seis aeronaves
Comandante dos Bombeiros afirmou na sexta (9) que o pedido feito em setembro teve resposta negativa. Neste sábado (10), com fumaça sobre Manaus, Lula prometeu 290 profissionais e seis aeronaves.

O presidente Lula anunciou neste sábado (10), em vídeo nas redes sociais, o envio de 290 profissionais e seis aeronaves para combater os incêndios no Amazonas. O anúncio veio um dia depois de o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do estado, coronel Orleilso Muniz, dizer em entrevista que o governo federal havia recusado um pedido de aviões feito em setembro.
No vídeo, Lula contou ter telefonado para o governador Roberto Cidade (União Brasil) e disse que os ministérios do Meio Ambiente e da Integração e do Desenvolvimento Regional mandariam representantes ao estado ainda neste sábado.
"Pode contar com o governo federal, povo do Amazonas."
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
O que disse o comandante
Na sexta (9), em entrevista à imprensa de Manaus, o coronel Muniz afirmou que a corporação pediu ao governo federal aeronaves para ampliar o combate ao fogo, sobretudo nas áreas de difícil acesso, e que a resposta foi negativa. Segundo ele, o pedido de reforço aéreo se repete desde 2024.
"Já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar."
Coronel Orleilso Muniz, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas
Enquanto isso, o governo do Amazonas contratou por conta própria uma aeronave, que começou a operar na quinta (8) no Distrito Industrial de Manaus e também foi mandada a Iranduba. Os Bombeiros têm quartéis em mais de 25 municípios do interior.
A versão do governo federal
O Ministério do Meio Ambiente contestou o comandante. Segundo a pasta, o Amazonas pediu apoio em 23 de setembro, e o governo federal acionou uma equipe do projeto Respad e uma aeronave do projeto Pegasus. Em 30 de setembro, ainda segundo o ministério, o governo estadual avisou que a equipe não era mais necessária porque as chuvas tinham ajudado a controlar os focos. A pasta diz também que o estado não formalizou pedido de recursos pelo sistema federal de defesa civil.
O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, disse que a União destinou R$ 45 milhões ao combate aos incêndios e anunciou quatro aviões do órgão, sem data de chegada. Pelo que o Meio Ambiente informou, as seis aeronaves prometidas são quatro aviões Air Tractor, que lançam água, e dois helicópteros.
Manaus debaixo da fumaça
A fumaça cobre a capital há cerca de um mês. Na manhã deste sábado, o mapa de monitoramento do ar registrou 166,9 microgramas por metro cúbico de partículas finas no Coroado, na zona Leste, índice classificado como péssimo. Crianças, idosos e quem tem doença respiratória são os mais expostos. Até a noite, o governo não tinha detalhado para quais municípios vão as equipes nem o cronograma da operação.
Análise F5 ao vivo
Os dois lados contam histórias diferentes sobre setembro, e o portal não tem como dizer qual versão fecha. O que os fatos mostram é a ordem dos acontecimentos: o pedido de aviões existe desde 2024, a fumaça está sobre Manaus há um mês, o comandante foi a público na sexta e o anúncio das aeronaves saiu no sábado.
Combate a incêndio florestal na Amazônia não deveria depender de entrevista na TV para sair do papel. Se o estado dispensou ajuda no fim de setembro, o ministério precisa mostrar o documento. Se a ajuda foi negada, quem negou precisa explicar por quê. Quem respira a fumaça em Manaus merece a resposta inteira, com data de chegada dos aviões e lugar onde vão atuar.
Fontes: Portal Em Tempo: comandante dos Bombeiros diz que pedido de aeronaves foi negado, Portal Em Tempo: Lula anuncia seis aeronaves e 290 profissionais, BNC Amazonas: Lula anuncia ajuda federal; versão do Ministério do Meio Ambiente, Rios de Notícias: reforço federal e qualidade do ar em Manaus. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






