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Áudio atribuído a Vorcaro diz que dinheiro para filme de Lula foi "por fora"; defesa e PF negam

Revista Veja divulga gravação e documento que falam em R$ 30 milhões em espécie para o documentário sobre Lula. Defesa do banqueiro não reconhece o material, PF e PGR dizem que não houve depoimento e a campanha de Lula fala em farsa.

Por Redação F5 ao vivo
Protesto contra o Banco Master em janeiro de 2026, com pedido pela delação de Daniel Vorcaro
Protesto contra o Banco Master em janeiro de 2026, com pedido pela delação de Daniel Vorcaro Foto: Ópólitískur heimspekingur (CC BY-SA 4.0)

A revista Veja divulgou nesta sexta-feira (9) um áudio atribuído a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um documento em que ele relata ter bancado o documentário "Lula", de 2024, dirigido por Oliver Stone. Segundo o documento, foram cerca de R$ 30 milhões pagos "por fora, ou seja, em espécie". O material ainda não foi confirmado por nenhuma autoridade.

Na gravação, o banqueiro compara esse dinheiro com o patrocínio ao filme "Dark Horse", ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

"Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio."

Voz atribuída a Daniel Vorcaro, no áudio divulgado pela Veja

O que o documento descreve

De acordo com a reportagem, o valor teria sido entregue ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto, a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O mesmo texto relata uma negociação com Vaccari para acesso a fundos de pensão de servidores, como Previ, Petros e Postalis, com cobrança de 10% sobre o que o banco captasse. A reunião teria sido intermediada por Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

A própria Veja registra que a cobrança dos 10% não tem comprovação nos autos. A Previ afirmou não ter exposição ao Banco Master. A Gazeta do Povo comparou a voz da gravação com outras falas de Vorcaro em uma ferramenta de reconhecimento e encontrou semelhança, mas avisou que o teste não substitui perícia oficial.

Defesa, PF e PGR

O advogado Daniel Bialski, que defende Vorcaro, repudiou a divulgação e disse não reconhecer a origem nem a autenticidade do material. Segundo ele, o banqueiro não prestou depoimento à Polícia Federal nem à Procuradoria-Geral da República sobre o assunto.

A PF afirmou que Vorcaro não deu depoimento com esse conteúdo e que as propostas de colaboração não foram aceitas por não cumprirem os requisitos da lei. A PGR disse que as conversas foram feitas por advogados, sem contato direto com o banqueiro, e que a proposta foi rejeitada. Apuração da Jovem Pan indica que o documento sobre o filme não está anexado a nenhuma das propostas de delação.

Reação das campanhas

A coligação de Lula chamou a reportagem de "farsa com objetivos eleitorais" e disse que vai à Justiça. O PT afirma que não há registro na PF nem delação aceita. Lula já negou ter pedido ou recebido qualquer vantagem do banqueiro. A defesa de Augusto Lima classificou os relatos como falsos e negou ilícitos. A defesa de Vaccari não respondeu.

Flávio Bolsonaro, que é investigado no STF em apuração separada sobre o financiamento de "Dark Horse", disse a jornalistas no Rio que se sente injustiçado e acusou Lula de ter recebido propina. Na véspera, o grupo Prerrogativas pediu à PF que investigue uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha do senador.

Análise F5 ao vivo

O áudio é grave, mas hoje é só isso: um áudio. Sem perícia, sem depoimento formal e com a PF e a PGR dizendo que nada disso está nos autos, ninguém pode tratar o conteúdo como prova. O caminho correto é o que a Constituição desenha: quem investiga é a polícia (art. 144) e quem acusa é o Ministério Público (art. 129).

Ao mesmo tempo, a pergunta não some com nota de repúdio. Se há uma gravação com a voz de um banqueiro preso falando em R$ 30 milhões em espécie, o mínimo é perícia rápida e transparente, com o mesmo rigor que se cobra quando o investigado é do outro lado. Investigação seletiva é o que mais corrói a confiança no sistema.

O caso Master já trocou de relator no Supremo e respinga em governo e oposição. A sociedade tem direito de saber, com prova, quem recebeu o quê. Até lá, os citados têm a seu favor a presunção de inocência do art. 5º, LVII.

Fontes: Gazeta do Povo, Jovem Pan, CNN Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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