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Suplente de Moro entra no PL, partido chega a 29 senadores e mira impeachment no STF

Luís Felipe Cunha deixou o União Brasil nesta quinta e disse ver abusos de Alexandre de Moraes. Contagem da imprensa fala em cerca de 50 senadores a favor do impeachment; são precisos 54.

Por Redação F5 ao vivo
Plenário do Senado Federal, em Brasília
Plenário do Senado Federal, em Brasília Foto: Boaventuravinicius (CC BY-SA 4.0)

O PL formalizou nesta quinta-feira (8) a filiação de Luís Felipe Cunha, primeiro suplente do senador Sergio Moro no Paraná. Cunha deixou o União Brasil e entrou no partido durante um evento da legenda que reuniu o candidato Flávio Bolsonaro e governadores eleitos no domingo, entre eles o próprio Moro.

Com a troca, o PL passa a ter 29 das 81 cadeiras do Senado na legislatura que começa em 2027. É mais de um terço da Casa e a maior bancada, segundo levantamentos do SBT News e do jornal O Hoje.

Por que o suplente vai assumir

Moro foi eleito governador do Paraná no primeiro turno, em 4 de outubro, e deve deixar o Senado para tomar posse no governo estadual em 5 de janeiro. Ainda não está definido se Cunha assume a cadeira antes disso ou só depois da posse.

Cunha tem 47 anos, é advogado, empresário e mestre em Direito pela PUCPR. Nasceu em São Paulo, mora em Curitiba desde 1994, coordenou a campanha de Moro ao governo e foi advogado dele. Disse que pretende manter as pautas do titular, como o combate à corrupção e a segurança pública.

Impeachment de ministros na mesa

Em entrevista à Folha de S.Paulo, citada pelo O Hoje, Cunha afirmou que acompanha a posição da bancada do PL a favor do impeachment de ministros do Supremo.

Vejo abusos cometidos pelo STF, principalmente pelo ministro Alexandre de Moraes

Luís Felipe Cunha, suplente de Sergio Moro

A conta ainda não fecha. A estimativa publicada nesta quinta é de cerca de 50 senadores dispostos a defender o afastamento de algum ministro, ainda que com ressalvas. Para condenar um ministro do STF por crime de responsabilidade, a Constituição exige dois terços do Senado, ou 54 votos (art. 52, inciso II e parágrafo único).

Na terça (6), a Gazeta do Povo, com base em apuração da CNN Brasil, informou que o PL decidiu recusar qualquer acordo político envolvendo ministros do Supremo e calcula ter 49 votos para o impeachment de Moraes. O partido também discute um pedido contra Flávio Dino.

Como fica o resto do Senado

Na eleição de domingo, o PL elegeu 19 das 54 vagas em disputa. O MDB ficou com 7 e o PT com 6. A federação União Brasil e PP cai para 11 nomes com a saída de Cunha. O PT terá 9 cadeiras e pode chegar a 11, a depender do segundo turno no Amazonas e da volta de Wellington Dias ao mandato no Piauí.

Análise F5 ao vivo

Faltam quatro votos, e quatro votos no Senado não são pouca coisa. Mas a mudança de clima é real: o impeachment de um ministro do Supremo deixou de ser bravata de rede social e virou conta de plenário.

O caminho existe e está na Constituição. O art. 52 dá ao Senado, e só a ele, o poder de processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade. Usar esse instrumento não é ataque ao Judiciário; é o freio que o constituinte criou justamente para quando um Poder passa do limite do art. 2º, que manda os três serem independentes e harmônicos.

O desafio da nova bancada é outro: transformar o discurso em processo sério, com fato, prova e rito, para que a decisão final, qualquer que seja, tenha força e não pareça vingança. Se fizer isso, o Senado de 2027 vai cumprir um papel que o atual preferiu deixar na gaveta.

Fontes: SBT News, O Hoje, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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