Pedreiro viaja 2 mil km para conhecer namorada e descobre que ela era feita por IA
Edimar Rocha Martins saiu de Imperatriz (MA) de ônibus atrás da "Jéssica Fazendeira", perfil com mais de 300 mil seguidores. Em Belo Horizonte, ninguém conhecia a mulher: ela não existe.

O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, rodou mais de 2 mil quilômetros de ônibus, de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, para encontrar a mulher com quem conversava pelas redes sociais. Chegando lá, descobriu que a pretendente não existia. Era uma personagem feita com inteligência artificial.
O caso foi mostrado pelo Jornal da Band nesta quarta-feira (14) e virou um dos assuntos mais comentados do dia.
A fazendeira que não existe
A personagem se apresenta como Jéssica Fazendeira. Nos vídeos, tem rosto e voz que parecem de verdade, diz ser divorciada e procurar um companheiro para morar com ela numa fazenda no interior de Minas. O perfil passa de 300 mil seguidores e também divulga anúncios de uma plataforma de vendas pela internet.
Segundo Edimar, os dois trocavam mensagens no privado e ela mostrava interesse num relacionamento. Ele saiu do Maranhão na sexta-feira (9) e chegou à capital mineira no domingo (11). Não tinha o endereço dela.
Eu vim em busca de uma felicidade, né?
Edimar Rocha Martins, pedreiro
Foto na mão, pela rua
Sem saber para onde ir, o pedreiro passou a mostrar as fotos da mulher a quem encontrava na rua e chegou a pedir ajuda a uma rádio local. Ninguém a reconhecia. Foi assim que ele entendeu que a namorada só existia na tela.
Edimar contou que não desconfiou de golpe porque ela nunca pediu dinheiro. Pelo contrário: oferecia pagar a passagem e buscá-lo onde ele estivesse. Até a publicação das reportagens, o dono do perfil não tinha se manifestado.
Prefeitura pagou a volta
Ele procurou a Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante, em Belo Horizonte. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que Edimar recebeu banho, comida e orientação sobre golpes nas redes. A Prefeitura pagou a passagem para Augustinópolis, no Tocantins, cidade onde ele nasceu, e o embarque foi na terça-feira (13).
Como não cair
- Desconfie de perfil perfeito demais, que só aparece em vídeo editado e nunca topa uma chamada ao vivo.
- Peça uma prova simples na hora, como um gesto ou uma palavra combinada em vídeo chamada.
- Não viaje nem mande dinheiro sem endereço, telefone confirmado e alguém de confiança sabendo para onde você vai.
- Perfil de "namoro" que também vende produto ou anúncio tem interesse em engajamento, não em casamento.
Análise F5 ao vivo
O caso do Edimar mostra um tipo de engano que não pede Pix. O perfil ganha seguidor, curtida e venda de anúncio com a esperança de gente sozinha, e a conta chega para quem acredita: dias de estrada, dinheiro de passagem e a vergonha de mostrar foto na rua.
As redes que lucram com esses perfis precisam marcar de forma clara o que é feito por IA. E a família de quem está mais exposto, gente mais velha ou sozinha no interior, precisa conversar sobre isso antes que a próxima Jéssica apareça.
Fontes: Pleno.News, Jornal da Band (Band Jornalismo). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






