Campanha de Lula prepara cartas a evangélicos e católicos para divulgar nesta semana
Edinho Silva, presidente do PT, confirmou os dois textos na terça (13). A ideia repete a carta de 2022 e chega duas semanas depois de pastores do Cimeb acusarem aliados do petista de espalhar boato sobre Aparecida.

A campanha do presidente Lula (PT) vai divulgar ainda nesta semana duas cartas dirigidas a grupos religiosos: uma aos evangélicos e outra aos católicos. Quem confirmou foi o presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, na noite de terça-feira (13), depois de uma reunião com partidos aliados em Brasília.
O texto final ainda não foi apresentado. Segundo Edinho, a minuta já foi escrita, passou pelo presidente e voltou com pedidos de revisão em vários pontos. A ideia, disse ele, partiu de movimentos sociais ligados à campanha.
"Tem uma carta direcionada aos evangélicos também e aos católicos"
Edinho Silva, presidente do PT
Diálogo, não lista de promessas
Edinho afirmou que as cartas servem para abrir conversa com esses setores, e não para firmar uma lista de compromissos. Também disse que não deve haver grande evento de lançamento, diferente do que aconteceu na campanha passada.
O segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) é no domingo, 25 de outubro. O eleitorado evangélico costuma votar mais à direita, e o PT tenta reduzir essa distância desde o primeiro turno.
O que aconteceu em 2022
Na eleição de 2022, Lula assinou uma carta-compromisso com os evangélicos. O texto prometia não fechar igrejas e garantir a liberdade de culto. Na época, pastores alinhados ao bolsonarismo receberam o documento com desconfiança e disseram que ele não mudaria votos nas igrejas.
Em 17 de setembro deste ano, o PT já tinha lançado um panfleto voltado às famílias religiosas, que associa ações do governo a passagens da Bíblia.
O clima com os pastores
As cartas chegam num momento de atrito. Em 28 de setembro, o Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que diz reunir mais de 10 mil pastores, soltou nota assinada por 14 líderes, entre eles Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes e Samuel Câmara.
A nota criticou Lula e aliados pela circulação de uma informação falsa: a de que Flávio Bolsonaro estaria por trás de uma proposta para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e acabar com o feriado de 12 de outubro. O projeto citado é de 2007, de outro deputado, e foi arquivado em 2008. Para os pastores, o boato serviu para jogar católicos contra evangélicos.
Do outro lado, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou no fim de agosto uma carta aberta de apoio à reeleição de Lula. Até a manhã desta quarta (14), nenhuma grande denominação tinha comentado as novas cartas, porque o conteúdo ainda não saiu.
Análise F5 ao vivo
Carta para igreja em reta final de campanha é um gesto conhecido. Em 2022 o documento saiu, mas o voto evangélico não se mexeu muito. Desta vez a própria campanha avisa que não haverá lista de promessas, o que deixa a pergunta no ar: diálogo sobre o quê, exatamente?
O ponto sensível é a liberdade religiosa, garantida no artigo 5º, inciso VI, da Constituição. Pastor e padre querem saber como o governo trata temas como educação dos filhos, aborto e a autonomia das igrejas. Uma carta que fuja desses assuntos tende a ser lida como peça de campanha, não como compromisso.
Também pesa o episódio de Aparecida. Antes de falar com os evangélicos, a campanha terá de explicar por que um boato que opunha católicos e evangélicos circulou entre seus apoiadores. O F5 vai publicar o conteúdo das cartas assim que forem divulgadas.
Fontes: Poder360, O Liberal (Agência Estado), Folha do Estado (nota do Cimeb). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






