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Na primeira Festa da Padroeira como arcebispo, dom Mário pede paz e diz que fé não autoriza ódio

Na missa solene das 9h no Santuário Nacional, o arcebispo de Aparecida falou contra a indiferença diante das guerras, pediu atenção à fome e disse não temer a perda do título de padroeira.

Por Redação F5 ao vivo
Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo
Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo Foto: TMX Gargoyle (CC BY 4.0)

O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, presidiu nesta segunda-feira (12) a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, às 9h, na basílica do Santuário Nacional, no interior de São Paulo. Foi a primeira Festa da Padroeira dele à frente da arquidiocese. A basílica ficou lotada.

Na homilia, ele pediu que os fiéis olhem para quem vive com fome, pobreza, violência e solidão, e defendeu o desarmamento. Também afirmou que o Evangelho não dá licença para odiar quem pensa diferente e pediu que se construam pontes no lugar de divisões.

"Não podemos ficar indiferentes diante das guerras"

Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida

Paz desarmada

O arcebispo repetiu a expressão "paz desarmada e desarmante" para descrever o que, segundo ele, Jesus pede aos cristãos. A fala veio num momento de clima tenso no país, a duas semanas do segundo turno, e foi lida como um apelo ao respeito entre quem discorda.

Perguntado sobre os boatos que circulam nas redes desde setembro sobre uma suposta tentativa de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira, dom Mário disse não ter receio. Ele lembrou que o título foi concedido pelo papa em 1930 e proclamado no Brasil em 1931. Segundo o Metrópoles, não há projeto em tramitação nesse sentido, e o político apontado nas publicações negou a acusação.

Um dia inteiro de celebrações

O santuário marcou sete missas no dia, das 5h às 18h, além da vigília mariana à meia-noite, da consagração solene às 15h e da procissão com fogos às 19h30. A administração esperava cerca de 150 mil pessoas só nesta segunda. Durante a novena, encerrada no domingo (11), passaram pelo santuário cerca de 500 mil fiéis, segundo a Agência Brasil.

Entre os romeiros, muitos chegaram a pé. A Agência Brasil conta a história de um homem de 47 anos que andou 172 quilômetros da zona leste da capital paulista até Aparecida, em cinco dias.

A festa deste ano também fecha a Jornada Bíblica, projeto de oito anos que cobriu as fachadas da basílica com mosaicos inspirados em passagens da Bíblia. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanharam a missa solene.

Análise F5 ao vivo

A homilia de Aparecida tocou num ponto que vale para católicos e evangélicos: a fé cristã não se presta a virar arma contra o próximo. Discordar faz parte da vida pública. Odiar quem discorda não cabe no Evangelho, e foi isso que o arcebispo lembrou diante de uma basílica cheia.

O boato sobre o título de padroeira mostra como assunto de fé virou munição de rede social em ano de eleição. Não existe projeto tramitando, e a própria Igreja tratou o tema com calma. Quem compartilha esse tipo de conteúdo sem conferir ajuda a dividir justamente as famílias que estavam juntas no santuário hoje.

Fica o retrato de um país que, mesmo cansado e dividido, ainda caminha 172 quilômetros a pé para rezar. Esse povo merece líderes, religiosos e civis, que falem de paz com obras e não só com palavras.

Fontes: Agência Brasil, Metrópoles, Metrópoles (programação). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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