Lista mundial aponta 500 milhões de cristãos com acesso à Bíblia restrito; Iêmen é o 2º pior
Levantamento de 106 países coloca Afeganistão, Iêmen e Somália no topo. No Iêmen, mais de 60 cristãos foram presos só em 2026, segundo a Portas Abertas.

Mais de 500 milhões de cristãos no mundo vivem em lugares onde ter, ler ou guardar uma Bíblia é difícil ou perigoso. É o que mostra a Bible Access List 2026, levantamento divulgado na semana passada pela Bible Access Initiative, grupo formado por Bible League International, Digital Bible Society, Frontlines International, A Voz dos Mártires e YouVersion.
O estudo avaliou 106 países, 18 a mais que a primeira edição, de 2025. Ele mede duas coisas: as barreiras impostas por governo, grupos extremistas, família e vizinhança, e a falta de Bíblias entre cristãos que querem uma e não conseguem.
Os dez países mais fechados
O Afeganistão lidera a lista de restrições. Depois vêm Iêmen, Somália, Coreia do Norte, Eritreia, Mauritânia, Turcomenistão, Líbia, Sudão e Irã. Os seis primeiros receberam a classificação de restrição máxima.
Segundo o relatório, a impressão de Bíblias é proibida ou muito limitada em 39 países, e a importação em 38. Em 34 países, até ter um exemplar em casa é proibido ou severamente restrito. Na Coreia do Norte, uma Bíblia achada numa busca em casa pode levar à execução ou à prisão perpétua em campo de trabalho forçado, diz o texto.
O caso do Iêmen
O Iêmen aparece em 2º lugar, logo atrás do Afeganistão. A Portas Abertas, que coloca o país em 3º na sua Lista Mundial de Perseguição 2026, informou nesta terça (6) que o ano começou com uma onda de prisões no norte iemenita: mais de 60 cristãos foram sequestrados ou presos, alguns em postos de controle, na frente da mulher e dos filhos.
Muitos passaram a viver escondidos, mudaram de província ou destruíram o próprio celular para não serem rastreados. Ainda assim, segundo a organização, presos seguem falando de Jesus dentro das cadeias. Nesta quarta, o Portal Rhema mostrou o testemunho de um iemenita que apanhou do pai depois que ele achou uma Bíblia escondida no seu quarto.
Do celular à pobreza
Nem a versão digital resolve. O relatório estima que 277 milhões de cristãos em 48 países enfrentam internet vigiada, bloqueada ou insegura. Na China, aplicativos da Bíblia foram retirados das lojas; na Eritreia, celulares são revistados em barreiras.
Em outros lugares, o problema é dinheiro e estrutura. Mais de 125 milhões de cristãos em 81 países querem uma Bíblia e não têm. As maiores faltas estão na República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Índia, cada uma com mais de 10 milhões. Na América Latina, Cuba tem restrição severa e falta de 1 a 3 milhões de exemplares, e a Venezuela subiu 17 posições na lista por novas travas à importação e à impressão.
Muitas vezes ouvimos que a Bíblia está mais acessível do que nunca, mas não podemos confundir disponibilidade com acesso.
Wybo Nicolai, cocriador da Bible Access List
Análise F5 ao vivo
Para quem abre a Bíblia no celular no ônibus, sem pensar duas vezes, o número assusta: meio bilhão de irmãos não têm essa liberdade. No Iêmen, no Afeganistão e na Coreia do Norte, o livro que muita gente deixa pegando poeira na estante custa a liberdade e às vezes a vida.
O dado da Venezuela merece atenção de quem está aqui do lado. Um país vizinho do Brasil subir 17 posições numa lista de restrição à Bíblia mostra que liberdade religiosa não é coisa só do Oriente Médio. Ela se perde aos poucos, com regra de importação e licença de gráfica.
A lista também aponta onde dá para agir: 54 milhões de Bíblias são necessárias em 18 países onde não há perseguição, só pobreza. É ali que igreja, missão e doação fazem diferença imediata.
Fontes: Christian Post, Christian Daily International, Portas Abertas Brasil, Religion Unplugged. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






