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Arquidiocese de St. Louis processa governo dos EUA por barrar missa e confissão a presos do ICE

Padres só falam com os detentos por telefone, atrás de um vidro, quatro horas por semana. A cadeia sugeriu que um guarda entregasse a hóstia, e o arcebispo chamou a ideia de sacrilégio.

Por Redação F5 ao vivo
Fachada da Catedral Basílica de São Luís, no Missouri, com torres de pedra e cúpula verde
Catedral Basílica de São Luís, sede da arquidiocese que foi à Justiça contra o governo americano Foto: Nheyob, alterações de Rabanus Flavus (CC BY-SA 4.0)

A Arquidiocese Católica de St. Louis, no Missouri, entrou na Justiça Federal contra o governo dos Estados Unidos para garantir que padres possam dar a comunhão, ouvir confissões e celebrar missa para imigrantes presos. A ação foi aberta na segunda-feira (5) no Tribunal Federal do Distrito Leste do Missouri.

O alvo é a cadeia do condado de Ste. Genevieve, que guarda presos da imigração por contrato com o ICE, a polícia de imigração americana. São cerca de 150 detentos, a maioria católicos hispânicos que falam espanhol.

Vidro, telefone e quatro horas por semana

Pelas regras da cadeia, o padre só pode visitar na segunda-feira, numa janela de quatro horas. A conversa é feita por telefone, com um vidro separando o sacerdote do preso. Sem contato e sem privacidade, não há como confessar, receber a comunhão, participar da missa ou receber a unção dos enfermos.

Segundo a Reuters, o subchefe da cadeia ofereceu uma saída: o padre entregaria a hóstia consagrada embalada a um guarda, e o guarda levaria ao detento. O arcebispo Mitchell Rozanski recusou e classificou a proposta como sacrilégio.

Eles não podem ouvir confissões, não podem celebrar a missa, não podem dar a unção dos enfermos a nenhum dos detentos.

Mitchell Rozanski, arcebispo de St. Louis

O que a arquidiocese pede

Além da arquidiocese, assinam a ação o próprio arcebispo e o padre Christopher Schroeder, pároco em University City que visita a cadeia com frequência. Os réus são o Departamento de Segurança Interna (DHS), o ICE, o xerife do condado e funcionários da cadeia.

O pedido é que os padres tenham o mesmo acesso que já é dado a advogados e funcionários de consulados. A arquidiocese se apoia na liberdade de culto da Primeira Emenda da Constituição americana, numa lei federal que protege a religião de quem está preso (RLUIPA) e na lei de liberdade religiosa do Missouri.

Na terça-feira (6), o DHS negou tudo em nota: "Essas acusações são FALSAS", disse o órgão, que afirma que os detentos têm a chance de praticar a sua religião. O jornal National Catholic Reporter registrou que é a primeira diocese católica do país a processar o ICE por acesso aos sacramentos.

Não é o primeiro caso

Em novembro de 2025, o ICE barrou a comunhão para presos no centro de Broadview, perto de Chicago. Na época, o papa Leão XIV, que é americano, pediu às autoridades que deixassem os agentes de pastoral atender os detidos e disse que os direitos espirituais de quem está preso também precisam ser considerados. Um grupo de líderes católicos também foi à Justiça naquele caso.

Análise F5 ao vivo

Pode-se discutir a política de imigração de qualquer governo. O que não se discute é que um homem preso continua tendo alma. Negar a confissão e a comunhão a quem pede não protege fronteira nenhuma e não deixa ninguém mais seguro.

A proposta de mandar a hóstia pela mão de um guarda mostra o tamanho do problema: quem fez a regra trata o sacramento como encomenda. Para o católico, a confissão exige o padre presente e o segredo da conversa, coisa impossível num telefone de parlatório com quatro horas por semana.

Liberdade religiosa que vale só fora da cela não é liberdade. Se a Justiça americana der razão à arquidiocese, o caso vira referência para todas as cadeias que recebem presos do ICE, e para quem defende a fé como direito, aqui e lá.

Fontes: Reuters (via GMA News), The Catholic Sun / OSV News, National Catholic Reporter, Axios Chicago (papa Leão XIV sobre Broadview, 2025). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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