Tribunal de Lahore reabre caso contra homem acusado de raptar e casar com menina cristã
Maria Shahbaz sumiu de casa aos 12 anos, foi convertida ao islã e entregue ao suposto marido por decisão judicial. Agora o processo criminal volta, com acusação de falsificação da certidão de casamento.

O Tribunal Superior de Lahore, no Paquistão, mandou restabelecer o processo policial contra Shehryar Ahmad, muçulmano acusado de raptar, converter à força e casar com a cristã Maria Shahbaz. A decisão é do juiz Abher Gul Khan, no dia 1º de outubro, e foi divulgada nesta semana pelo Morning Star News e pelo Christian Daily International.
Maria desapareceu de casa, em Lahore, em 29 de julho de 2025. Pela data de nascimento apresentada pela família, 7 de outubro de 2012, ela tinha 12 anos e 9 meses quando sumiu. Nesta quarta-feira, completa 14 anos longe dos pais. Segundo a ADF International, que acompanha o caso, o acusado tinha 30 anos.
Como o caso tinha sido arquivado
Em 3 de fevereiro deste ano, a Corte Constitucional Federal do Paquistão validou o casamento e deixou a menina sob a guarda do suposto marido. Um mês depois, em 7 de março, um magistrado de Lahore aceitou o pedido da polícia para cancelar o registro do crime, o chamado FIR. A família diz que não foi avisada da audiência e que nem ela nem o advogado estavam presentes.
O que pesou contra o arquivamento foi uma prova que já existia. O secretário do conselho local onde o casamento teria sido registrado declarou em juízo que nem a certidão islâmica de casamento nem a união constavam dos livros oficiais, e que o documento era falso. A família procurou o chefe da polícia, que montou uma nova comissão de investigação. Essa apuração reabriu o caso e acrescentou acusações de fraude e falsificação nos papéis de casamento e de conversão.
O que muda agora
Com o processo de volta, a família pode pedir a prisão do acusado e o início da ação penal. A decisão também reforça o pedido de revisão que está parado na Corte Constitucional. Esse recurso foi admitido em 24 de julho por dois juízes, que mandaram notificar o procurador-geral do país, o governo do Punjab e o próprio Shehryar Ahmad. A data da próxima audiência ainda não foi marcada.
A restauração do FIR com novas acusações confirma o que sempre dissemos: Maria foi submetida a um casamento de fachada.
Safdar Choudhry, do ministério Raah-e-Nijaat, que apoia a família
O advogado da família, Muhammad Saqib Jillani, sustenta que a lei islâmica e a lei paquistanesa não deixam um menor de idade assinar contrato, e casamento é contrato. Ele também lembra que a Corte Federal Shariat passou a exigir maturidade mental, e não só a física, para o casamento.
Um caso que virou símbolo
Em 9 de julho, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução citando Maria e pedindo ao Paquistão um canal nacional para receber denúncias de famílias de meninas cristãs e hindus raptadas ou convertidas à força. A ADF International estima que mais de mil meninas menores de idade de minorias religiosas passam por conversão e casamento forçados no Paquistão a cada ano.
Análise F5 ao vivo
Uma menina de 12 anos não escolhe trocar de religião nem casar com um homem de 30. Quando a Justiça de um país valida esse casamento e entrega a criança a quem a levou, a falha deixa de ser só da polícia e passa a ser do Estado inteiro. O caso de Maria mostra o ponto mais frágil da liberdade religiosa: a fé de uma família pobre de minoria vale menos do que um papel que o próprio cartório diz ser falso.
A decisão de Lahore é uma vitória pequena, mas real. Ela devolve à família o direito de acusar e coloca a fraude no centro do processo. O teste de verdade vem agora, na Corte Constitucional, que terá de decidir se mantém uma menina com o acusado mesmo diante de um documento que o próprio órgão de registro desmentiu.
Para a igreja no Brasil, o caso pede duas coisas: oração pela família Shahbaz e atenção. Pressão de fora pesou, como mostrou a resolução europeia. Casos assim só andam quando alguém continua olhando.
Fontes: Morning Star News, Christian Daily International, The Christian Post, ADF International. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






