Cristãos de Bengala Ocidental, na Índia, pedem investigação federal de ataques a igrejas nas casas
Conselho que diz representar 1,3 milhão de cristãos levou nesta terça (6) a comissões de direitos humanos e de minorias 26 casos em três meses. Só 11 viraram inquérito.

O Bangiya Christiya Pariseba, conselho que reúne igrejas cristãs no estado indiano de Bengala Ocidental, entregou nesta terça-feira (6) pedidos de intervenção à Comissão Nacional de Direitos Humanos, à Comissão Nacional para as Minorias e à comissão de direitos humanos do próprio estado. O grupo quer uma investigação com prazo para os ataques contra cristãos, seus cultos e suas igrejas.
O pedido veio um dia depois de uma audiência pública em Calcutá, a capital do estado, na segunda-feira (5). Segundo o conselho, centenas de pastores, líderes e membros de vários distritos contaram casos de intimidação, cultos interrompidos por grupos e dificuldade para registrar queixa na polícia.
26 casos e só 11 inquéritos
Antes de recorrer às comissões federais, o conselho já tinha mandado ao ministro-chefe do estado, Suvendu Adhikari, que comanda o governo local, um documento com 26 casos de perseguição em três meses. Desses, apenas 11 viraram FIR, o registro que abre um processo criminal na Índia.
Um levantamento independente aponta um quadro maior. O India Hate Lab contou ao menos 60 casos contra cristãos em 13 distritos entre 13 de maio e 20 de setembro, desde que o BJP, partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi, assumiu o governo do estado pela primeira vez. Foram 52 invasões de reuniões cristãs e 8 episódios de agressão, ataque de multidão ou depredação. Só em 19 e 20 de setembro, o grupo registrou cinco invasões em 48 horas.
O mesmo roteiro em casas pequenas
O alvo principal, segundo o conselho, são as igrejas que se reúnem em casas, em cidades pequenas e vilas. O secretário-geral e fundador do grupo, Herod Mullick, descreve um padrão: pessoas entram na reunião de oração, provocam confusão e filmam a reação. Depois, trechos curtos circulam nas redes com a acusação de conversão forçada e chegam às autoridades locais como prova.
Por isso o conselho pediu perícia nos vídeos, além de proteção policial para igrejas, salões de oração e instituições cristãs, e registro rápido das queixas.
- Em 5 de julho, em Katwa, um grupo armado com paus agrediu o pastor e os fiéis da Grace Church durante o culto de domingo e levou dinheiro, celulares e documentos, segundo relatos reunidos pelo Christian Post.
- No mesmo dia, no distrito de 24 Parganas do Sul, uma multidão entrou numa igreja em obras e destruiu três cruzes do telhado.
- Em agosto, em Uluberia, a polícia precisou resgatar um pastor e os fiéis depois de um ataque, e alguns grupos suspenderam os cultos nas casas, segundo o Indian Express.
O que diz o governo
No domingo (4), Adhikari disse que o estado vai tomar medidas para proibir a conversão religiosa forçada, que ele chamou de atividade subversiva e antinacional. O conselho cristão diz que as acusações de conversão em massa são falsas e que a polícia, em vez de agir contra os agressores, interroga pastores e fiéis por horas e pressiona para que não deem queixa.
Nós colocamos agora a esperança nos órgãos federais encarregados de proteger as minorias
Herod Mullick, secretário-geral do Bangiya Christiya Pariseba
Os cristãos são 0,7% da população de Bengala Ocidental. A Constituição da Índia, no artigo 25, garante o direito de professar, praticar e propagar a fé. A Índia aparece entre os 15 países mais perigosos para cristãos na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas.
Análise F5 ao vivo
O caso de Bengala Ocidental mostra como a perseguição moderna funciona sem decreto nenhum. Ninguém fecha igreja por lei. Um grupo entra na sala de oração, filma o tumulto que ele mesmo criou, publica o recorte e entrega à autoridade como prova de crime. A vítima vira suspeita, e o pastor é quem passa a tarde na delegacia.
A reação do governo estadual preocupa porque responde a uma acusação que ninguém provou, a conversão forçada, e não aos 26 casos documentados de agressão e invasão. Quando só 11 queixas viram inquérito, o recado para quem invade culto é que vale a pena continuar.
O pedido de perícia nos vídeos é o ponto mais concreto. Se as gravações foram cortadas para incriminar fiéis, isso se prova tecnicamente. Para os cristãos da Índia, a liberdade escrita no artigo 25 só vale se a polícia registrar a queixa no dia em que ela chega.
Fontes: UCA News, Christian Post, Muslim Mirror (relatório do India Hate Lab), Portas Abertas: Lista Mundial da Perseguição 2026. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






