Pular para as notícias
Ao vivo Prefeitura de Catalão aponta empresa de alimentos por deixar ribeirão vermelho e vai autuar
No Instagram

Cristãos de Bengala Ocidental, na Índia, pedem investigação federal de ataques a igrejas nas casas

Conselho que diz representar 1,3 milhão de cristãos levou nesta terça (6) a comissões de direitos humanos e de minorias 26 casos em três meses. Só 11 viraram inquérito.

Por Redação F5 ao vivo
Catedral de São Paulo, em Calcutá, capital de Bengala Ocidental, na Índia
Catedral de São Paulo, em Calcutá, capital de Bengala Ocidental, na Índia Foto: Subhrajyoti07 (CC BY-SA 4.0)

O Bangiya Christiya Pariseba, conselho que reúne igrejas cristãs no estado indiano de Bengala Ocidental, entregou nesta terça-feira (6) pedidos de intervenção à Comissão Nacional de Direitos Humanos, à Comissão Nacional para as Minorias e à comissão de direitos humanos do próprio estado. O grupo quer uma investigação com prazo para os ataques contra cristãos, seus cultos e suas igrejas.

O pedido veio um dia depois de uma audiência pública em Calcutá, a capital do estado, na segunda-feira (5). Segundo o conselho, centenas de pastores, líderes e membros de vários distritos contaram casos de intimidação, cultos interrompidos por grupos e dificuldade para registrar queixa na polícia.

26 casos e só 11 inquéritos

Antes de recorrer às comissões federais, o conselho já tinha mandado ao ministro-chefe do estado, Suvendu Adhikari, que comanda o governo local, um documento com 26 casos de perseguição em três meses. Desses, apenas 11 viraram FIR, o registro que abre um processo criminal na Índia.

Um levantamento independente aponta um quadro maior. O India Hate Lab contou ao menos 60 casos contra cristãos em 13 distritos entre 13 de maio e 20 de setembro, desde que o BJP, partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi, assumiu o governo do estado pela primeira vez. Foram 52 invasões de reuniões cristãs e 8 episódios de agressão, ataque de multidão ou depredação. Só em 19 e 20 de setembro, o grupo registrou cinco invasões em 48 horas.

O mesmo roteiro em casas pequenas

O alvo principal, segundo o conselho, são as igrejas que se reúnem em casas, em cidades pequenas e vilas. O secretário-geral e fundador do grupo, Herod Mullick, descreve um padrão: pessoas entram na reunião de oração, provocam confusão e filmam a reação. Depois, trechos curtos circulam nas redes com a acusação de conversão forçada e chegam às autoridades locais como prova.

Por isso o conselho pediu perícia nos vídeos, além de proteção policial para igrejas, salões de oração e instituições cristãs, e registro rápido das queixas.

  • Em 5 de julho, em Katwa, um grupo armado com paus agrediu o pastor e os fiéis da Grace Church durante o culto de domingo e levou dinheiro, celulares e documentos, segundo relatos reunidos pelo Christian Post.
  • No mesmo dia, no distrito de 24 Parganas do Sul, uma multidão entrou numa igreja em obras e destruiu três cruzes do telhado.
  • Em agosto, em Uluberia, a polícia precisou resgatar um pastor e os fiéis depois de um ataque, e alguns grupos suspenderam os cultos nas casas, segundo o Indian Express.

O que diz o governo

No domingo (4), Adhikari disse que o estado vai tomar medidas para proibir a conversão religiosa forçada, que ele chamou de atividade subversiva e antinacional. O conselho cristão diz que as acusações de conversão em massa são falsas e que a polícia, em vez de agir contra os agressores, interroga pastores e fiéis por horas e pressiona para que não deem queixa.

Nós colocamos agora a esperança nos órgãos federais encarregados de proteger as minorias

Herod Mullick, secretário-geral do Bangiya Christiya Pariseba

Os cristãos são 0,7% da população de Bengala Ocidental. A Constituição da Índia, no artigo 25, garante o direito de professar, praticar e propagar a fé. A Índia aparece entre os 15 países mais perigosos para cristãos na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas.

Análise F5 ao vivo

O caso de Bengala Ocidental mostra como a perseguição moderna funciona sem decreto nenhum. Ninguém fecha igreja por lei. Um grupo entra na sala de oração, filma o tumulto que ele mesmo criou, publica o recorte e entrega à autoridade como prova de crime. A vítima vira suspeita, e o pastor é quem passa a tarde na delegacia.

A reação do governo estadual preocupa porque responde a uma acusação que ninguém provou, a conversão forçada, e não aos 26 casos documentados de agressão e invasão. Quando só 11 queixas viram inquérito, o recado para quem invade culto é que vale a pena continuar.

O pedido de perícia nos vídeos é o ponto mais concreto. Se as gravações foram cortadas para incriminar fiéis, isso se prova tecnicamente. Para os cristãos da Índia, a liberdade escrita no artigo 25 só vale se a polícia registrar a queixa no dia em que ela chega.

Fontes: UCA News, Christian Post, Muslim Mirror (relatório do India Hate Lab), Portas Abertas: Lista Mundial da Perseguição 2026. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

Gostou? Mande para quem precisa saber

Veja também