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China segura passaporte do pastor John Cao, com câncer avançado, longe da família nos EUA

Ele cumpriu sete anos de prisão e foi solto em 2024, mas não pode sair do país. Voz dos Mártires diz que mais de 200 líderes de igreja estão presos na China.

Por Redação F5 ao vivo
Fachada de igreja cristã em Changsha, na China, com cruz no topo e telhado em estilo chinês
Igreja em Changsha, na província de Hunan, na China (foto ilustrativa) Foto: Huangdan2060 (CC0)

O pastor John Cao cumpriu a pena inteira na China, saiu da cadeia em março de 2024 e até hoje não consegue voltar para casa. O governo chinês não devolve o passaporte dele, e a família, que mora nos Estados Unidos, espera enquanto o pastor enfrenta um câncer de próstata em estágio avançado.

O caso voltou à tona nesta quarta-feira (7) numa entrevista de Todd Nettleton, porta-voz da missão Voz dos Mártires (Voice of the Martyrs), exibida pela CBN News, emissora cristã americana.

Desde que saiu da prisão, ele está numa prisão maior.

Todd Nettleton, da Voz dos Mártires, em tradução livre

Preso perto da fronteira com Mianmar

Cao foi preso em março de 2017 perto da fronteira da China com Mianmar. Do outro lado da fronteira, ele tinha ajudado a abrir 16 escolas para crianças do povo kachin, segundo a ChinaAid. Foi condenado a sete anos por "organizar travessias ilegais de fronteira" e cumpriu a pena numa prisão de Kunming.

Um grupo de trabalho da ONU concluiu que a detenção violou os direitos dele, inclusive a proteção contra discriminação religiosa, segundo a International Christian Concern (ICC).

Sem passaporte e com câncer

Cao tem residência permanente nos Estados Unidos, o green card, e a esposa é cidadã americana. A família mora na Carolina do Norte. Segundo a ChinaAid, o passaporte foi recolhido poucos dias antes de um voo que ele tinha marcado para os Estados Unidos em 2024.

Em abril de 2026, ele pediu o documento de novo, por razões humanitárias. Na mesma época foi internado com dores fortes e recebeu o diagnóstico: câncer de próstata em estágio avançado, com um tumor na coluna e a doença espalhada até a medula óssea, segundo a ICC. A ChinaAid relata que ele é vigiado o tempo todo por agentes da segurança pública.

Em agosto, a ChinaAid e a Revelation Media lançaram uma petição pedindo ao presidente Donald Trump que interceda junto a Pequim para que o passaporte seja devolvido. A meta é 100 mil assinaturas.

Um pastor solto, a perseguição maior

O pedido tem um precedente recente. O pastor Ezra Jin Mingri, líder da Igreja Sião, uma das maiores igrejas não registradas de Pequim, foi solto em julho e chegou a Los Angeles no dia 4, menos de dois meses depois de Trump levar o caso dele a Xi Jinping numa visita de Estado à capital chinesa, em maio, segundo a NPR.

Na entrevista desta quarta, Nettleton disse que a perseguição aos cristãos na China aumentou: igrejas invadidas pela polícia e fechadas, templos obrigados a instalar câmeras para vigiar quem entra e o que se prega, até entre as igrejas registradas, e mais de 200 líderes de igreja presos. O que os cristãos perseguidos pedem, afirmou ele, é oração.

Análise F5 ao vivo

O caso de John Cao mostra como funciona a perseguição quando a pena acaba. O homem saiu da cela, mas o Estado chinês continua decidindo onde ele vive, com quem ele fala e se ele vai ver a família de novo. Segurar o passaporte de um doente terminal que já pagou a pena imposta pelo próprio regime não tem justificativa legal. É castigo prolongado.

A libertação de Ezra Jin prova que pressão diplomática funciona quando o caso tem nome, rosto e oração constante. O cristão brasileiro pode fazer a parte dele: conhecer a história, orar pelo pastor Cao e pelos mais de 200 líderes presos e não deixar o assunto cair no esquecimento.

Fontes: CBN News: entrevista de Todd Nettleton (07/10/2026), Religion Unplugged: ChinaAid pede ajuda de Trump para trazer o pastor para casa, International Christian Concern: diagnóstico de câncer do pastor John Cao, NPR: pastor solto na China semanas depois do pedido de Trump. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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