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Papa Leão XIV escreve à igreja de Gaza após bombardeio matar mãe e filha cristãs

Maysa Abu Daoud e a filha, Mary, ajudavam desabrigados num abrigo ligado à única paróquia católica de Gaza. Israel diz que o alvo do ataque era um dos chefes do Hamas.

Por Redação F5 ao vivo
Igreja da Sagrada Família, a única paróquia católica da Faixa de Gaza, em foto de 2022
Igreja da Sagrada Família, a única paróquia católica da Faixa de Gaza, em foto de 2022 Foto: Dan Palraz (CC BY-SA 4.0)

O papa Leão XIV mandou uma carta à Paróquia da Sagrada Família, a única igreja católica da Faixa de Gaza, depois que um bombardeio israelense matou duas cristãs na Cidade de Gaza. A mensagem foi dirigida ao padre Gabriel Romanelli, pároco da comunidade, e divulgada pelo Vatican News nesta semana.

As vítimas são Maysa Khader Ibrahim Abu Daoud e a filha dela, Mary Hafez Michel Al-Najjar. As duas eram cristãs ortodoxas e morreram na madrugada do sábado (3), quando o prédio onde moravam de aluguel foi atingido. Ao todo, pelo menos cinco pessoas morreram no ataque.

Quem eram mãe e filha

Segundo um representante palestino que acompanha os assuntos da igreja, mãe e filha serviam os paroquianos e os desabrigados num abrigo ligado à Sagrada Família. Durante a guerra, elas ficaram refugiadas dentro da igreja com outros cristãos. Quando a paróquia pediu que todos saíssem, quem não tinha casa alugou um lugar. Foi o que as duas fizeram.

Uma moradora de Gaza que hoje vive em Belém contou ao Christian Daily International que o marido de Maysa morreu há um ano, de causas naturais. Ela deixa dois filhos, um na Cisjordânia e outro na Alemanha. Os dois tentavam havia tempo tirar a mãe e a irmã de Gaza.

Um vizinho muçulmano que ajudou a retirar os corpos dos escombros disse que as duas eram pessoas de paz, queridas por todos, e que não tinham envolvimento com nada.

O que diz Israel

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que o ataque mirava Ali Ahmed Al-Amoudi, apontado como vice-chefe do braço político do Hamas em Gaza e ex-braço direito de Yahya Sinwar. Segundo os militares, ele estava num apartamento usado pelo grupo terrorista, e o Hamas usa civis como escudo humano. A nota não disse se Al-Amoudi morreu.

O bombardeio aconteceu durante o cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025. Israel continua fazendo ataques que diz serem contra militantes e acusa o Hamas de se rearmar e de violar a trégua.

A carta do papa

"Desde que soube da dolorosa notícia da morte de Maysa e Mary, tenho rezado a Deus por elas"

Papa Leão XIV, em carta à paróquia de Gaza

Na mesma mensagem, o papa agradeceu ao padre Romanelli por acompanhar a paróquia e as pessoas que querem viver em paz. O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, também se manifestou. O Patriarcado Grego Ortodoxo de Jerusalém, igreja das duas vítimas, publicou uma oração pelas duas e pediu o fim dos bombardeios e a proteção dos civis.

A Sagrada Família ficou conhecida no mundo porque o papa Francisco manteve contato frequente com a paróquia por cerca de 19 meses, até morrer. A última ligação foi em 19 de abril de 2025, dois dias antes da morte dele.

Análise F5 ao vivo

Os cristãos de Gaza são uma minoria pequena, e cada morte pesa sobre uma comunidade inteira, que se conhece pelo nome. Maysa e Mary não estavam em combate: cuidavam de desabrigados.

Israel tem o direito de caçar quem planejou o massacre de 7 de outubro, e o Hamas tem culpa direta quando se esconde no meio de famílias. Isso não apaga a dor de quem perdeu mãe e irmã num prédio de aluguel. O mínimo é que cada ataque em área cheia de civis seja explicado com clareza.

Para a igreja no Brasil, fica o pedido que vem de Jerusalém: oração pelas famílias, pela pequena paróquia que segue de pé e por uma paz que deixe os cristãos de Gaza continuarem na própria terra.

Fontes: EWTN News, The Christian Post / Christian Daily International. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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