Papa Leão XIV escreve à igreja de Gaza após bombardeio matar mãe e filha cristãs
Maysa Abu Daoud e a filha, Mary, ajudavam desabrigados num abrigo ligado à única paróquia católica de Gaza. Israel diz que o alvo do ataque era um dos chefes do Hamas.

O papa Leão XIV mandou uma carta à Paróquia da Sagrada Família, a única igreja católica da Faixa de Gaza, depois que um bombardeio israelense matou duas cristãs na Cidade de Gaza. A mensagem foi dirigida ao padre Gabriel Romanelli, pároco da comunidade, e divulgada pelo Vatican News nesta semana.
As vítimas são Maysa Khader Ibrahim Abu Daoud e a filha dela, Mary Hafez Michel Al-Najjar. As duas eram cristãs ortodoxas e morreram na madrugada do sábado (3), quando o prédio onde moravam de aluguel foi atingido. Ao todo, pelo menos cinco pessoas morreram no ataque.
Quem eram mãe e filha
Segundo um representante palestino que acompanha os assuntos da igreja, mãe e filha serviam os paroquianos e os desabrigados num abrigo ligado à Sagrada Família. Durante a guerra, elas ficaram refugiadas dentro da igreja com outros cristãos. Quando a paróquia pediu que todos saíssem, quem não tinha casa alugou um lugar. Foi o que as duas fizeram.
Uma moradora de Gaza que hoje vive em Belém contou ao Christian Daily International que o marido de Maysa morreu há um ano, de causas naturais. Ela deixa dois filhos, um na Cisjordânia e outro na Alemanha. Os dois tentavam havia tempo tirar a mãe e a irmã de Gaza.
Um vizinho muçulmano que ajudou a retirar os corpos dos escombros disse que as duas eram pessoas de paz, queridas por todos, e que não tinham envolvimento com nada.
O que diz Israel
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que o ataque mirava Ali Ahmed Al-Amoudi, apontado como vice-chefe do braço político do Hamas em Gaza e ex-braço direito de Yahya Sinwar. Segundo os militares, ele estava num apartamento usado pelo grupo terrorista, e o Hamas usa civis como escudo humano. A nota não disse se Al-Amoudi morreu.
O bombardeio aconteceu durante o cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025. Israel continua fazendo ataques que diz serem contra militantes e acusa o Hamas de se rearmar e de violar a trégua.
A carta do papa
"Desde que soube da dolorosa notícia da morte de Maysa e Mary, tenho rezado a Deus por elas"
Papa Leão XIV, em carta à paróquia de Gaza
Na mesma mensagem, o papa agradeceu ao padre Romanelli por acompanhar a paróquia e as pessoas que querem viver em paz. O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, também se manifestou. O Patriarcado Grego Ortodoxo de Jerusalém, igreja das duas vítimas, publicou uma oração pelas duas e pediu o fim dos bombardeios e a proteção dos civis.
A Sagrada Família ficou conhecida no mundo porque o papa Francisco manteve contato frequente com a paróquia por cerca de 19 meses, até morrer. A última ligação foi em 19 de abril de 2025, dois dias antes da morte dele.
Análise F5 ao vivo
Os cristãos de Gaza são uma minoria pequena, e cada morte pesa sobre uma comunidade inteira, que se conhece pelo nome. Maysa e Mary não estavam em combate: cuidavam de desabrigados.
Israel tem o direito de caçar quem planejou o massacre de 7 de outubro, e o Hamas tem culpa direta quando se esconde no meio de famílias. Isso não apaga a dor de quem perdeu mãe e irmã num prédio de aluguel. O mínimo é que cada ataque em área cheia de civis seja explicado com clareza.
Para a igreja no Brasil, fica o pedido que vem de Jerusalém: oração pelas famílias, pela pequena paróquia que segue de pé e por uma paz que deixe os cristãos de Gaza continuarem na própria terra.
Fontes: EWTN News, The Christian Post / Christian Daily International. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






