Cidade cristã de Suqaylabiyah, na Síria, é atacada pela segunda vez no ano por grupo armado
Homens de uma cidade vizinha invadiram a cidade à noite, saquearam lojas e casas e atiraram a esmo. Dois cristãos chegaram a ser presos junto com os agressores.

A cidade de Suqaylabiyah, de maioria cristã ortodoxa, na província de Hama, no centro da Síria, foi atacada na noite de 3 de outubro por um grupo vindo de Qalaat al-Madiq, cidade sunita a cerca de 4 km ao norte. É a segunda vez neste ano que a cidade sofre um ataque desse tipo.
Segundo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização britânica que acompanha a liberdade religiosa, casas e lojas foram danificadas e saqueadas, e os invasores dispararam armas de fogo a esmo. Uma mulher alauíta teve ferimentos leves. Não houve registro de mortes.
Como começou
De acordo com a CSW, dois jovens de Qalaat al-Madiq tentaram intimidar um lojista em Suqaylabiyah. Os dois foram agredidos e fugiram. Horas depois, voltaram com um grupo maior e atacaram a cidade à noite.
Vídeos que circularam nas redes, citados pelo jornal The National, mostram uma fogueira no meio da rua e um grupo tentando arrombar uma loja.
Dois cristãos presos
A polícia chegou rápido e prendeu vários agressores. Também levou dois homens cristãos da cidade, que, segundo fontes da CSW, só foram soltos em 5 de outubro.
A TV estatal síria tratou o caso como uma briga entre jovens que terminou com o ataque a uma loja e disse que a calma voltou. O governo da província de Hama atribuiu a violência a uma "incitação sistemática" entre os grupos que formam o povo sírio.
A segunda vez em 2026
Em março, pouco antes da Páscoa, a cidade já tinha sido invadida por dezenas de homens em motocicletas, depois que dois jovens muçulmanos foram expulsos por assediar mulheres cristãs. Lojas, casas, carros e um santuário dedicado a Maria foram depredados. As igrejas católica, greco-ortodoxa e siríaco-ortodoxa cancelaram as celebrações públicas da Páscoa.
Suqaylabiyah tem hoje cerca de 16 mil moradores. Eram 20 mil em dezembro de 2024, quando caiu o regime de Bashar al-Assad, segundo o The National. Antes da guerra civil, em 2011, a Síria tinha cerca de 850 mil cristãos.
Os cristãos sírios não buscam o caos nem a vingança, mas não queremos que o nosso povo viva com medo
Fadi Sankari, padre ortodoxo de Suqaylabiyah
Alauítas também mortos
Na mesma semana, a CSW registrou dois ataques contra alauítas. Em 30 de setembro, sete trabalhadores do setor de petróleo e gás foram mortos a tiros num micro-ônibus perto da vila de Fahel, no interior de Homs. Em 4 de outubro, três jovens alauítas foram mortos perto de Beit Awad, no interior de Tartus.
O presidente da CSW, Mervyn Thomas, condenou a nova onda de violência sectária e pediu que a comunidade internacional pressione o governo sírio a combater o extremismo e o discurso de ódio.
Análise F5 ao vivo
Quando a vítima de um ataque vai presa junto com quem atacou, a mensagem para a minoria é clara: defender a própria rua tem preço. Os dois cristãos foram soltos, mas a prisão já cumpriu o papel de intimidar.
Chamar de briga de jovens um grupo armado que saqueia casas à noite é diminuir o problema. A cidade perdeu um quinto dos moradores em menos de dois anos e já teve a Páscoa cancelada por medo. Uma minoria que vai embora aos poucos também é perseguição, mesmo sem manchete de massacre.
O governo sírio busca reconhecimento internacional. Proteger quem vive em Suqaylabiyah, sem tratar cristão que reage como criminoso, é o teste mais simples de que esse reconhecimento é merecido.
Fontes: Christian Solidarity Worldwide (CSW), The National, Christian Today, Folha Gospel. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






