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Ao vivo Lula divulga carta às famílias evangélicas no dia em que a Quaest dá 60% a 28% para Flávio no segmento
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Lula divulga carta às famílias evangélicas no dia em que a Quaest dá 60% a 28% para Flávio no segmento

O texto fala de bets, descanso semanal e oração. Do lado de Lula, o pastor Otoni de Paula aposta em virar indecisos. Entre os evangélicos, a distância para Flávio passa de 30 pontos.

Por Redação F5 ao vivo
O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), pastor que declarou voto em Lula, em sessão da Câmara
O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), pastor que declarou voto em Lula, em sessão da Câmara Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0)

O presidente Lula (PT) divulgou nesta quarta-feira (14) uma carta aberta endereçada às "famílias evangélicas do Brasil", a 11 dias do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na mesma noite, a primeira pesquisa Quaest do segundo turno mostrou o tamanho da distância nesse eleitorado: Flávio tem 60% das intenções de voto entre os evangélicos, e Lula, 28%.

A carta tinha sido anunciada na terça (13) pelo presidente do PT, Edinho Silva. Agora o texto saiu, com temas de costumes e de bolso escolhidos para falar com quem frequenta igreja.

O que diz a carta

Lula abre com a família. Diz que lares fortes fazem uma nação forte e coloca as apostas online, as bets, entre as coisas que estão destruindo casas brasileiras. Promete combater esse mercado.

O ponto mais repetido é o descanso. O presidente defende dois dias de folga por semana, o fim da escala 6x1, e liga a mudança a mais tempo para a família e para a igreja. A PEC sobre o tema estava na pauta do Senado no mesmo dia.

O texto também cita proteção às mulheres, combate ao crime organizado, saúde, renda e meio ambiente. Lula afirma que não é evangélico, mas respeita todas as religiões, e usa linguagem bíblica: fala em "seguir a verdade em amor" e atribui à mão de Deus ter vencido batalhas da vida.

"Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração"

Lula, na carta

No fim, ele pede aos leitores que peçam discernimento a Deus antes de votar. A carta não traz prazo nem instrumento legal para as promessas.

Pastores dos dois lados

A carta chega depois de semanas de disputa entre lideranças. Do lado de Lula, o deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ), que foi um dos aliados mais fiéis de Jair Bolsonaro e chegou a ofender Lula em 2022, declarou voto no petista e subiu ao palco de um ato de campanha na Ceilândia (DF) na sexta (9).

"A igreja não é de direita, não é de esquerda"

Otoni de Paula, deputado federal e pastor

Otoni disse que o trabalho é de convencimento e que bastariam um ou dois pontos entre os evangélicos indecisos para mudar o resultado. Do outro lado, pastores ligados a Silas Malafaia defendem Flávio e acusam aliados de Lula de espalhar boatos para jogar católicos contra evangélicos, como no caso de Nossa Senhora Aparecida.

O que dizem os números

Na Quaest, Flávio tem 46% no total e Lula, 44%, empate técnico dentro da margem de dois pontos. Entre os evangélicos, 60% a 28%, com 11% em branco, nulo ou sem intenção de votar. A pesquisa ouviu 2.154 pessoas de 10 a 13 de outubro e está registrada no TSE com o número BR-08729/2026.

Em 2022, Lula também lançou uma carta aos evangélicos na reta final. Na época, pastores do campo bolsonarista disseram que o texto não convertia votos, e o segmento terminou com ampla maioria para Bolsonaro.

Análise F5 ao vivo

A carta mostra que a campanha de Lula entendeu onde está a maior distância desta eleição. Trinta e dois pontos num grupo que reúne dezenas de milhões de eleitores não se apagam com uma carta, e a própria campanha sabe disso: a aposta é buscar indecisos, como admite Otoni de Paula.

O que chama atenção é o vocabulário. Bets, folga no domingo, oração e discernimento são temas reais na vida de quem frequenta igreja, mas a carta mistura promessa de governo com linguagem de púlpito. O evangélico brasileiro já viu esse filme em 2022 e costuma julgar pela prática de quatro anos, não pelo texto da última semana.

Vale também para os dois lados: igreja não é comitê. Pastor tem direito a opinião política como qualquer cidadão, mas o púlpito existe para pregar o Evangelho. Quem transforma o culto em palanque, seja de que lado for, empobrece a missão da igreja.

Fontes: Gazeta do Povo, Jornal Opção, Metrópoles, Terra (Quaest), Poder360. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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