PL vota pelo fim da 6x1 hoje, mas Sóstenes promete PEC das horas trabalhadas para 2027
Líder do partido na Câmara diz que a bancada vota sim no Senado e que, com a maior bancada das duas Casas a partir de 2027, o PL vai insistir no pagamento por hora como opção ao trabalhador.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta quarta-feira (14) que os senadores do partido vão votar a favor da PEC que acaba com a escala 6x1. Na mesma conversa com jornalistas, ele avisou que a sigla vai trabalhar, a partir de 2027, pela aprovação de outra proposta: a chamada PEC das Horas Trabalhadas.
Até o começo da noite, o plenário do Senado ainda discutia o texto. Treze senadores continuavam inscritos para falar, e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que não vai cortar os pronunciamentos por causa do horário.
O que é a PEC das Horas Trabalhadas
A proposta é do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Ela flexibiliza a escala e permite que o trabalhador receba pelas horas que de fato trabalhou, num acerto feito direto com o patrão.
Segundo o Poder360, Sóstenes disse que o texto não traz previsão de férias, salário mínimo nem outros direitos da CLT. Para ele, seria uma modalidade opcional, ao lado do emprego com carteira assinada.
Nós queremos as horas como alternativa ao trabalhador. O que o trabalhador quiser escolher.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara
O deputado negou que a ideia seja desfazer o fim da 6x1. Disse que o objetivo é abrir mais opções e que a proposta alternativa não entra na votação de hoje.
A virada de Flávio
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, criticou a PEC da 6x1 durante semanas e defendia o pagamento por hora. Na terça-feira (13), depois de visitar o pai, anunciou que votaria a favor. Segundo o Poder360, ele cumpre agenda no Rio Grande do Sul nesta quarta e vota de forma remota.
A CNN Brasil informou que a campanha de Flávio sinalizou a empresários que "correções" no texto podem vir no ano que vem, caso ele vença. A aposta está na nova composição do Congresso: a partir de 2027, o PL terá a maior bancada nas duas Casas, com 28 senadores e 121 deputados, segundo projeção que ainda depende do segundo turno.
O placar que o governo precisa
Por mudar a Constituição, a PEC precisa de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada um dos dois turnos. O Planalto é contra a proposta alternativa do PL e trabalha para votar os dois turnos ainda hoje. Na Câmara, em maio, 81 dos 97 deputados do PL votaram a favor do fim da 6x1, 9 votaram contra e 7 não participaram.
Análise F5 ao vivo
O PL resolveu o dilema da semana do jeito mais prático: vota sim agora, quando a pauta é popular e falta pouco para o segundo turno, e deixa para 2027 a discussão sobre o modelo que sempre defendeu. É uma posição legítima. Só precisa ser dita com todas as letras ao eleitor, e Sóstenes disse.
O ponto que merece atenção é a outra ponta. Uma PEC que cria um contrato por hora sem férias e sem salário mínimo mexe no art. 7º da Constituição, que lista os direitos de quem trabalha. Se a ideia é dar escolha, o texto vai ter que mostrar com clareza como o trabalhador fica protegido quando a escolha não for dele, e sim do patrão.
Para o governo, a votação de hoje é vitrine. Para a oposição, é ponte. Quem vai decidir o que acontece depois de 2027 é o Congresso que a urna já montou.
Fontes: Poder360, CNN Brasil, CNN Brasil, Poder360, g1. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






