Em ato pró-Lula em Goiânia, manifestantes chicoteiam boneco da deputada Júlia Zanatta
Encenação na Praça Universitária teve placa com "Sinhá Zanatta no tronco". A deputada do PL de Santa Catarina levou o caso a advogados, e dois dias depois outro boneco dela foi queimado em Florianópolis.

Um boneco com o rosto da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi chicoteado durante um ato de apoio à reeleição do presidente Lula, no domingo (11), na Praça Universitária, em Goiânia. O boneco ficou preso a um mastro e levava uma placa com a frase "Sinhá Zanatta no tronco", referência direta à escravidão.
O vídeo da encenação circulou nas redes sociais ao longo da semana e chegou à própria deputada, que respondeu na segunda-feira (12). Os organizadores do ato não foram identificados nas reportagens, e não houve manifestação pública deles, do PT ou da polícia sobre o caso até a manhã desta quinta-feira (15).
De onde veio o chicote
A encenação foi uma resposta a um vídeo publicado pela própria Zanatta depois da eleição de 4 de outubro. Nele, a deputada comemora o resultado segurando um relho, o chicote de couro trançado usado no campo no Sul do país.
Segundo ela, o gesto brincava com a expressão catarinense "dar de relho", que quer dizer vencer com folga. Zanatta foi reeleita com mais de 560 mil votos, a maior votação de uma deputada federal na história de Santa Catarina.
O que a deputada disse
Zanatta chamou a cena de hipócrita e cobrou se a primeira-dama Janja da Silva consideraria o ato misógino. Ela informou que mandou o caso para advogados avaliarem medidas na Justiça.
"Agora eles aproveitam isso aí para fazer um boneco meu e me açoitar em praça pública"
Júlia Zanatta, deputada federal (PL-SC)
Em Florianópolis, o boneco foi queimado
Na terça-feira (13), dois dias depois do ato em Goiânia, um boneco da deputada foi incendiado durante um protesto à noite em Florianópolis. Um vídeo publicado pelo Jornal Razão mostra o boneco em chamas no meio da rua, com o grupo gritando "fogo nos fascistas". No mesmo dia, em ato pela reeleição de Lula em frente à Catedral Metropolitana da capital catarinense, um manifestante exibiu um cartaz com o rosto do ativista americano Charlie Kirk, assassinado em 2025, colado sobre uma foto dela.
Em entrevista ao Pânico, da Jovem Pan, na quarta-feira (14), Zanatta disse que os participantes do protesto em Florianópolis tinham ligação com a universidade federal e que já estão sendo identificados. Ela não detalhou que medidas vai tomar.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.
Análise F5 ao vivo
Bater num boneco com o rosto de uma deputada, com placa de tronco e de sinhá, não é crítica política. É encenação de violência física contra uma mulher eleita, feita em praça pública de Goiânia, e o fato de o alvo ser de direita não muda a natureza do gesto. Se a cena fosse com uma deputada de esquerda, a reação de quem hoje se cala seria outra, e com razão.
A liberdade de expressão do art. 5º, IV e IX, da Constituição protege a sátira, inclusive a mais ácida. Ela não protege incitação, e a linha fica perigosa quando o recado é chicote numa semana e fogo na outra, em duas capitais. Quem organiza ato público responde pelo que acontece nele.
A Praça Universitária é um espaço de convivência de Goiânia, frequentado por estudantes e famílias. Que a disputa do segundo turno continue nas urnas e nos debates, e não em boneco amarrado em mastro.
Fontes: Tribuna do Planalto, OCP News, Jornal Razão, Mais Goiás. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






