Goiânia acha 29 barbeiros em nove meses, mais que o dobro de 2025, e ensina o que fazer
A Prefeitura pede que o morador não esmague o inseto: recolha com saco plástico, guarde em pote com tampa e ligue para a Vigilância em Zoonoses no (62) 99152-2545.

A Prefeitura de Goiânia fez nesta terça (13) um alerta sobre o barbeiro, o inseto que pode carregar o parasita da doença de Chagas. De janeiro a setembro de 2026, a Diretoria de Vigilância em Zoonoses identificou 29 barbeiros na capital. No mesmo período de 2025 foram menos da metade disso, e no ano passado inteiro foram 20.
Em abril, o Lacen-GO, laboratório estadual de saúde pública, confirmou o primeiro barbeiro achado em Goiânia com o Trypanosoma cruzi, o protozoário que causa a doença. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ressalta que um inseto infectado não quer dizer que alguém da região tenha pegado Chagas.
Por que eles estão aparecendo mais
Segundo a Vigilância em Zoonoses, a cidade crescendo sobre áreas verdes tira o abrigo e a comida do barbeiro, que passa a chegar perto das casas. O calor e as mudanças no clima também mexem na forma como o inseto se espalha.
A expansão urbana pode provocar desmatamento, derrubar árvores que servem de abrigo e reduzir as fontes de alimentação desses insetos
Bruno Sérgio, médico veterinário da Vigilância em Zoonoses
O que fazer se achar um barbeiro em casa
- Não esmague nem mate o inseto.
- Proteja a mão com um saco plástico ou outro material, sem tocar direto nele.
- Recolha com cuidado e guarde num pote com tampa.
- Ligue para a Vigilância em Zoonoses: (62) 99152-2545. A equipe identifica o inseto, faz busca na região e, quando dá, testa se ele tem o parasita.
- Se alguém foi picado, teve contato com o barbeiro ou tem dúvida sobre Chagas, o telefone é o da Vigilância Epidemiológica: 3030-2534.
Como a doença passa
O risco maior não é a picada em si. A transmissão acontece quando as fezes do barbeiro infectado entram em contato com machucado na pele ou com olhos e boca. Chagas também passa por alimento contaminado, da gestante para o bebê e, mais raramente, por transfusão de sangue ou transplante.
Na fase aguda, logo depois da infecção, podem aparecer febre que não passa, mal-estar, dor de cabeça e inchaço, mas muita gente não sente nada. Na fase crônica, que dura anos, parte dos infectados desenvolve problemas no coração e no aparelho digestivo.
Os números de casos na capital
Goiânia registrou 255 casos de Chagas crônica em 2025 e 362 em 2026. Foram seis mortes ligadas à forma crônica no ano passado e três neste ano. A SMS explica que esses casos não significam transmissão dentro da cidade: muitos pacientes se infectaram há décadas, na zona rural ou em outras regiões, e só descobriram depois de mudar para a capital.
Na transmissão de mãe para filho, a cidade não tem caso desde 2012 e recebeu em abril o selo bronze do Ministério da Saúde por boas práticas no pré-natal. Só Goiânia e Anápolis foram certificadas.
Como manter o inseto longe
A Prefeitura recomenda quintal limpo, sem entulho, madeira ou material acumulado; galinheiro, curral e outras criações longe da casa; tela nas janelas e vedação nas portas; e, quando possível, janela fechada à noite. Mosquiteiro e repelente ajudam. Inseticida contra barbeiro só com orientação da vigilância.
Análise F5 ao vivo
O número ainda é pequeno para uma capital do tamanho de Goiânia, e o alerta da Prefeitura vem acompanhado da explicação certa: barbeiro achado não é surto de Chagas. Mas mais que dobrar em um ano, com um inseto infectado confirmado em abril, é sinal que merece atenção de quem mora nos bairros novos, perto de mata ou de chácara.
O ponto mais útil do aviso é o mais simples: não esmagar. Matar o inseto com a mão é justamente o jeito de entrar em contato com o que transmite a doença, e ainda perde a chance de a vigilância testar o bicho e procurar outros na vizinhança. Guarde o telefone (62) 99152-2545 no celular.
Fontes: Prefeitura de Goiânia (Secretaria Municipal de Saúde), O Hoje. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






