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Senado aprova fim da escala 6x1 por 75 a 1 e PEC vai à promulgação na terça

Plenário votou os dois turnos no mesmo dia, rejeitou mudanças e manteve o texto da Câmara. A jornada cai para 42 horas dois meses depois da publicação e para 40 horas um ano mais tarde.

Por Redação F5 ao vivo
Senador no plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa, em março de 2026 Foto: Senado Federal (CC BY-SA 4.0)

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho no país. No segundo turno, o placar foi de 75 votos a favor e 1 contra. Como se trata de emenda à Constituição, o texto não passa por sanção do presidente: será promulgado pelo próprio Congresso.

A sessão de promulgação está prevista para a próxima terça-feira (20), no Senado, com a presença do presidente Lula e do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, segundo o jornal A Tarde. A Agência Senado informou apenas que a promulgação deve ocorrer nos próximos dias.

Dois turnos no mesmo dia

A votação dos dois turnos numa só sessão foi possível porque mais de 54 senadores assinaram o pedido de calendário especial, depois de cinco sessões de discussão. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), manteve o texto que veio da Câmara, onde a PEC passou em maio por 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

Duas tentativas de mudar o texto caíram. Uma emenda do senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), apoiada por 21 parlamentares, tratava das jornadas especiais já previstas em lei e foi rejeitada. Também foi derrubado o pedido do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para votar junto a PEC das horas trabalhadas, que o PL apresenta como alternativa à CLT.

"Nós queremos as horas como alternativa ao trabalhador."

Sóstenes Cavalcante, deputado federal (PL-RJ)

O calendário para as empresas

O texto aprovado não muda tudo de uma vez. O caminho previsto é este:

  • Dois meses depois da publicação: o limite semanal cai de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana, de preferência no domingo.
  • Doze meses depois disso: o teto passa a ser de 40 horas semanais, com até 8 horas por dia.
  • Salário: não pode ser reduzido por causa da jornada menor. Férias, FGTS e 13º seguem iguais.

Os patrões terão esses dois meses iniciais para refazer escalas e negociar acordos e convenções coletivas. Quem já trabalha 40 ou 36 horas por semana não tem nova redução. Empregados com diploma de nível superior que ganham 2,5 vezes o teto do INSS ou mais ficam fora do controle de jornada, salvo acordo em contrário, segundo o jornal O Tempo.

A 12 dias do segundo turno

A votação cumpriu um acordo entre Lula e Alcolumbre para que a PEC passasse antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Em setembro, a oposição tinha conseguido adiar a análise no plenário para depois do primeiro turno. Na CCJ, quatro senadores registraram voto contra: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS). No plenário, a resistência quase desapareceu.

Análise F5 ao vivo

O placar de 75 a 1 diz mais sobre o calendário do que sobre o mérito. Senadores que seguraram a PEC em setembro votaram a favor em outubro, a menos de duas semanas do segundo turno. Ninguém quis ficar com a fama de ter votado contra a folga do trabalhador na reta final da eleição.

O problema é que o Senado aprovou sem mexer numa vírgula e sem uma conta pública de quanto a mudança custa para o pequeno comércio, para o MEI e para quem emprega no turno da noite. A própria PEC fala em compensação para o microempreendedor, mas não diz como nem com que dinheiro. Dois meses é pouco tempo para padaria, farmácia e mercado de bairro refazerem a escala sem cortar gente.

A partir da promulgação, a briga sai do plenário e vai para a negociação coletiva e para os tribunais trabalhistas. É ali que vai aparecer quem paga a conta.

Fontes: Agência Senado, O Tempo, A Tarde. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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