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Celular de Vorcaro derruba executivo da Globo e expõe textos do Metrópoles revisados pelo banqueiro

Mensagens extraídas pela PF do aparelho do dono do Banco Master chegaram à imprensa e viraram assunto no X: a Globo demitiu um diretor e o Metrópoles explica por que mandava matérias ao banqueiro.

Por Redação F5 ao vivo
F5 ao vivo
Imagem ilustrativa.

O nome de Daniel Vorcaro está entre os assuntos mais comentados do X no Brasil neste sábado (17). O motivo são as conversas guardadas no celular do ex-dono do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025 na operação Compliance Zero. Desde que ministros do STF pediram à PF o conteúdo completo do aparelho, trechos passaram a circular em vários veículos, e agora o alvo é a própria imprensa.

A demissão na Globo

O Grupo Globo demitiu na quinta-feira (15) Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, que comandava a Editora Globo e o Sistema Globo de Rádio. Em nota, a empresa disse que as mensagens revelam uma "relação inadequada do executivo com um anunciante" e que o substituto será anunciado em breve.

Segundo a Globo, as conversas vão de outubro de 2023 a julho de 2025. O Poder360, que diz ter acesso ao acervo do celular, publicou trechos de outubro de 2024 em que Vorcaro pede cobertura para a empresa da então namorada, Martha Graeff, e o executivo responde ter "pautado" revistas do grupo, como Vogue, Ela e Marie Claire. Em outras mensagens, segundo os relatos, o banqueiro reclamava de notas sobre os patrocínios do Master e chegou a sugerir cortar o apoio a eventos do grupo.

O caso do Metrópoles

No mesmo dia, o UOL revelou que ao menos 14 reportagens do Metrópoles foram enviadas a Vorcaro antes de ir ao ar, entre 2024 e 2025. Onze tiveram mudanças depois das observações dele, e duas foram feitas a pedido direto do empresário. Uma matéria sobre a renegociação entre a Oncoclínicas e o Master deixou de ser publicada depois que ele disse se sentir incomodado com o texto.

As conversas eram com a CEO do portal, Lilian Tahan. Em uma delas, de abril de 2025, o banqueiro manda um desmentido sobre a suposta oferta de R$ 1 do BTG pelos ativos do Master e a resposta é "Tiramos". O Metrópoles tinha um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o banco, pago em 2025 em quatro parcelas de R$ 5 milhões.

Ao UOL, Tahan disse que checar antes com a fonte se o texto reflete o contexto passado é uma prática que adota com empresários, políticos e integrantes do Judiciário, e que o contrato publicitário "não possuía vinculação editorial". Pelo expediente do site, ela segue no cargo.

Influenciadores na lista

As mensagens também citam influenciadores. Reportagem do Estadão publicada na sexta (16) diz que a advogada e influenciadora Gabriela Prioli teve um contrato de 12 meses com o Master e que Vorcaro acompanhava e sugeria mudanças nos vídeos. Prioli nega ter sido contratada para defender o banco e cobra provas das acusações. Ela já tinha dito que todo conteúdo pago que publica vem marcado como publicidade.

Por que isso importa

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, depois do veto à compra pelo BRB, e Vorcaro é investigado pela PF por suspeita de fraude de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro. As mensagens mostram como o banco tentava cuidar da própria imagem enquanto a crise crescia, usando patrocínio, publicidade e contato direto com quem decide o que sai publicado.

Análise F5 ao vivo

Vazamento de conversa privada exige cuidado: mensagem fora de contexto engana, e cada citado tem direito de explicar. Mas o que já veio a público é grave o bastante para dispensar suspense. Mandar texto para o anunciante aprovar antes de publicar não é checagem com a fonte. É entregar a caneta para quem paga.

O leitor precisa saber quando o que lê foi escrito com o patrocinador olhando por cima do ombro. A Globo cortou o executivo em poucas horas. O Metrópoles manteve a direção e chamou de prática comum. Cabe a cada veículo explicar ao público, com transparência, quais matérias passaram pelo crivo do banqueiro.

Também chama atenção o caminho do material: o celular foi apreendido pela PF e só começou a vazar depois que o conteúdo integral subiu para o STF. Investigação séria se faz no processo, com o direito de defesa garantido pelo art. 5º, LV, da Constituição, e não em capítulos soltos distribuídos à imprensa.

Fontes: Poder360: Globo demite executivo após vazamento de conversas com Vorcaro, Brasil de Fato: mensagens apontam que Vorcaro alterava reportagens do Metrópoles, Diário do Grande ABC: Vorcaro editava reportagens do Metrópoles, Terra/Purepeople, com informações do Estadão: mensagens sobre Gabriela Prioli, Trends24: assuntos em alta no X Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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