Polícia Civil afasta delegados e carcereiro por suspeita de regalias a Milton Leite na cadeia
Três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes saem dos cargos depois que o MP achou R$ 155 mil e US$ 10 mil com o carcereiro. A defesa nega qualquer benefício.

A Polícia Civil de São Paulo afastou cinco servidores ligados à Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde está preso o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal da capital. A suspeita é de que ele e outros presos tenham recebido tratamento fora das regras da unidade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a medida no sábado (17).
Saíram dos cargos três delegados, um investigador e um carcereiro. Entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, o titular do 1º Distrito Policial da cidade e o diretor da cadeia, segundo o Diário do Transporte. O afastamento é preventivo e veio depois de depoimentos à Corregedoria da Polícia Civil.
A operação do Ministério Público
Tudo começou na sexta-feira (16), com a Operação Custódia (In)Fiel, do Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo que investiga crime organizado. Os promotores fizeram buscas na cadeia, no 1º DP e na casa do carcereiro. Com ele foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil em dinheiro.
A apuração nasceu de uma denúncia anônima sobre visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana. A Polícia Civil abriu inquérito e um procedimento disciplinar para individualizar a responsabilidade de cada servidor.
A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências
SSP-SP, em nota
Por que Milton Leite está preso
Milton Leite se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes em 18 de setembro, um dia depois da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital. Uma decisão do Tribunal de Justiça o aponta como suspeito de ser o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus da zona Sul. Nesta semana, a prisão foi prorrogada por mais 30 dias.
A Transwolff já tinha sido alvo da Operação Fim da Linha, em abril de 2024, junto com a UPBus. Na época, a Prefeitura fez intervenção nas duas empresas e depois rompeu os contratos. Segundo a investigação citada pelo Metrópoles, ao menos 12 das 22 empresas de ônibus da capital seriam, em tese, controladas pela facção.
O que diz a defesa
Os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo negam que o cliente tenha recebido regalia ou tratamento diferenciado e dizem que ele segue as mesmas regras dos demais presos. Milton Leite nega ser dono ou gestor da Transwolff e rejeita qualquer ligação com o PCC. A Transwolff também já contestou as acusações em manifestações anteriores.
Análise F5 ao vivo
Para quem pega ônibus em São Paulo, o caso não é fofoca de bastidor. A suspeita central da investigação é que a facção tenha entrado no sistema que leva milhões de pessoas todo dia, pago com dinheiro público. Se um investigado nesse esquema conseguiu tratamento especial dentro da cadeia, o problema deixa de ser um preso e passa a ser a própria estrutura que deveria vigiá-lo.
O afastamento rápido é o mínimo esperado e foi correto. Agora a Corregedoria precisa mostrar, com nomes e fatos, de onde veio o dinheiro achado com o carcereiro e quem entrou na cadeia fora de hora. Ninguém deve ser condenado por manchete, e a defesa tem o direito de contestar tudo. Mas a regra da prisão tem de valer igual para o ex-presidente da Câmara e para qualquer outro preso.
Fontes: Metrópoles, Diário do Transporte, SBT News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






