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Polícia Civil afasta delegados e carcereiro por suspeita de regalias a Milton Leite na cadeia

Três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes saem dos cargos depois que o MP achou R$ 155 mil e US$ 10 mil com o carcereiro. A defesa nega qualquer benefício.

Por Redação F5 ao vivo
Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal de São Paulo, que Milton Leite presidiu
Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal de São Paulo, que Milton Leite presidiu Foto: Henrique Boney (CC BY-SA 3.0)

A Polícia Civil de São Paulo afastou cinco servidores ligados à Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde está preso o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal da capital. A suspeita é de que ele e outros presos tenham recebido tratamento fora das regras da unidade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a medida no sábado (17).

Saíram dos cargos três delegados, um investigador e um carcereiro. Entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, o titular do 1º Distrito Policial da cidade e o diretor da cadeia, segundo o Diário do Transporte. O afastamento é preventivo e veio depois de depoimentos à Corregedoria da Polícia Civil.

A operação do Ministério Público

Tudo começou na sexta-feira (16), com a Operação Custódia (In)Fiel, do Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo que investiga crime organizado. Os promotores fizeram buscas na cadeia, no 1º DP e na casa do carcereiro. Com ele foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil em dinheiro.

A apuração nasceu de uma denúncia anônima sobre visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana. A Polícia Civil abriu inquérito e um procedimento disciplinar para individualizar a responsabilidade de cada servidor.

A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências

SSP-SP, em nota

Por que Milton Leite está preso

Milton Leite se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes em 18 de setembro, um dia depois da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital. Uma decisão do Tribunal de Justiça o aponta como suspeito de ser o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus da zona Sul. Nesta semana, a prisão foi prorrogada por mais 30 dias.

A Transwolff já tinha sido alvo da Operação Fim da Linha, em abril de 2024, junto com a UPBus. Na época, a Prefeitura fez intervenção nas duas empresas e depois rompeu os contratos. Segundo a investigação citada pelo Metrópoles, ao menos 12 das 22 empresas de ônibus da capital seriam, em tese, controladas pela facção.

O que diz a defesa

Os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo negam que o cliente tenha recebido regalia ou tratamento diferenciado e dizem que ele segue as mesmas regras dos demais presos. Milton Leite nega ser dono ou gestor da Transwolff e rejeita qualquer ligação com o PCC. A Transwolff também já contestou as acusações em manifestações anteriores.

Análise F5 ao vivo

Para quem pega ônibus em São Paulo, o caso não é fofoca de bastidor. A suspeita central da investigação é que a facção tenha entrado no sistema que leva milhões de pessoas todo dia, pago com dinheiro público. Se um investigado nesse esquema conseguiu tratamento especial dentro da cadeia, o problema deixa de ser um preso e passa a ser a própria estrutura que deveria vigiá-lo.

O afastamento rápido é o mínimo esperado e foi correto. Agora a Corregedoria precisa mostrar, com nomes e fatos, de onde veio o dinheiro achado com o carcereiro e quem entrou na cadeia fora de hora. Ninguém deve ser condenado por manchete, e a defesa tem o direito de contestar tudo. Mas a regra da prisão tem de valer igual para o ex-presidente da Câmara e para qualquer outro preso.

Fontes: Metrópoles, Diário do Transporte, SBT News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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