Um dia após o temporal, Tarcísio anuncia R$ 29 bilhões contra enchente e seca em SP
Pacote tem 181 ações até 2029, alerta em quatro cores por cidade e boletim diário da Defesa Civil. Governador cobra o morador: "o cidadão tem um papel fundamental".

O governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (15) um pacote de 181 ações contra os efeitos de temporais, ondas de calor e estiagem, com previsão de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029. O anúncio veio um dia depois da chuva que matou uma moradora da Brasilândia, na Zona Norte, e deixou mais de 20 carros e dois ônibus debaixo d'água no túnel do Anhangabaú.
As medidas fazem parte do Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas, lançado em 2025, e foram apresentadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O que muda para quem mora em SP
A principal mudança imediata é a operação São Paulo Sempre Alerta, que substitui a antiga Operação Chuvas. Ela começaria em dezembro, mas foi antecipada para outubro e vai, por enquanto, até o fim de 2027. Além da chuva, passa a acompanhar calor extremo, seca e incêndios.
- Cada cidade recebe um nível de alerta: verde (observação), amarelo (atenção), laranja (alerta) e vermelho (emergência).
- A Defesa Civil passa a soltar um boletim por dia com a previsão dos próximos três dias e o risco de cada região.
- Em risco imediato, o morador recebe aviso direto.
- Um gabinete especial junta órgãos do estado, polícias, Bombeiros e as empresas de água, luz e gás.
Para onde vai o dinheiro
Contra enchente, o plano reserva mais de R$ 1 bilhão para piscinões e reservatórios e R$ 1,7 bilhão para tirar lixo e terra do fundo de rios e córregos. Uma parceria com a iniciativa privada, ainda em estudo, prevê quase R$ 10 bilhões em obras ao longo do Tietê e do Pinheiros.
Na água, a conta inclui R$ 1,7 bilhão nas barragens de Pedreira e Duas Pontes, que devem atender cerca de 5,5 milhões de pessoas em mais de 20 cidades, e R$ 9 bilhões da Sabesp até 2030 para reduzir perdas. As Defesas Civis das prefeituras recebem R$ 147 milhões.
Recado ao morador e o túnel
Na fala, Tarcísio dividiu a responsabilidade com a população e lembrou que obra e alerta têm limite se o aviso for ignorado.
"o cidadão tem um papel fundamental"
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo
Sobre o Anhangabaú, que é operado pela Prefeitura, o governador disse que o túnel deveria ter sido fechado antes de encher. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que a falha no bloqueio será investigada.
Previsão
O solo continua encharcado, e a Defesa Civil manteve o alerta para pancadas fortes, alagamento, queda de árvore e deslizamento. A orientação é não atravessar rua alagada nem a pé nem de carro, ficar longe de córregos e sair de casa que mostre rachadura ou barulho vindo do barranco.
Análise F5 ao vivo
Plano de R$ 29 bilhões até 2029 é número grande, mas o que o paulistano vai sentir primeiro é o alerta e o boletim, porque obra de piscinão e barragem leva anos. O teste real chega já nas próximas semanas, com o solo encharcado e mais frente fria a caminho.
O túnel do Anhangabaú mostra onde o sistema falha: o aviso existia e a chuva era prevista, mas ninguém fechou a passagem a tempo. Estado e Prefeitura precisam deixar claro quem aperta o botão, porque cobrar o cidadão só faz sentido quando o poder público faz a parte dele primeiro.
Fontes: Metrópoles, TODODIA (com Agência SP), Agência Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





