Pular para as notícias
Ao vivo Ato de Flávio com Tarcísio e Nikolas lota Camburi, trava a orla e tem gente passando mal
No Instagram

Prefeitura de SP cria regra para corridas de rua com socorro em até 3 minutos nas provas de maior risco

Protocolo publicado no Diário Oficial vale a partir de 12 de dezembro, classifica cada prova por risco e pode suspender corrida com calor acima de 37°C. A regra nasceu 79 dias após a morte de um corredor na SP City Marathon.

Por Redação F5 ao vivo
Corredores na chegada da São Silvestre, no centro de São Paulo
Corredores na São Silvestre, prova de 15 km pelo centro de São Paulo Foto: Mark Hillary (CC BY 2.0)

Quem corre ou organiza prova de rua na cidade de São Paulo vai ter regra nova a partir de 12 de dezembro. A Secretaria Municipal da Saúde publicou no Diário Oficial do Município, na terça-feira (13), o protocolo de assistência médica para corridas de rua. Ele define quanto tempo o socorro pode levar para chegar ao atleta, quantos médicos cada prova precisa ter e quando o calor obriga a adiar ou cancelar a largada.

A regra saiu 79 dias depois da morte do publicitário e corredor amador Júlio Barreto, de 50 anos. Ele teve uma parada cardíaca logo após cruzar a linha de chegada dos 21 km da SP City Marathon, na Zona Sul, em 26 de julho. Três dias depois, a prefeitura criou um grupo de trabalho para montar o protocolo, que passou por consulta pública antes da versão final.

Cada prova ganha uma nota de risco

Antes de ser autorizada, toda corrida passa por uma classificação de risco feita com pontos. Entram na conta o número de inscritos, a distância, a previsão do tempo, o acesso de ambulâncias, o perfil dos corredores e o histórico de ocorrências. Prova com mais de 10 mil atletas soma 6 pontos. A meia maratona recebe 8, a maior nota entre as distâncias. Calor acima de 34°C vale 7 pontos, ponte ou túnel no percurso soma 2 e evento com morte em edição anterior soma 6.

Com até 18 pontos a prova é de baixo risco. De 19 a 28, médio. De 29 a 38, alto. Acima de 38, a corrida entra como risco especial, o nível mais exigente.

Quanto tempo o socorro pode levar

  • Baixo risco: até 8 minutos para o primeiro atendimento, com recurso médico a cada 2 km
  • Médio risco: até 6 minutos, com recurso a cada 1,5 km
  • Alto risco: até 5 minutos, com recurso a cada 1 km
  • Risco especial: até 3 minutos, com recurso a cada 800 metros

Nenhum trecho do percurso pode ficar sem cobertura médica. Nas provas de 10 km ou mais, o último quarto do trajeto, onde o corpo já está no limite, precisa ter posto médico e equipe móvel com desfibrilador. Os postos têm de ter oxigênio, desfibrilador, monitor, remédios de emergência como a adrenalina e material para acesso na veia. Na prova de baixo risco, a estrutura mínima é de 2 médicos, 2 enfermeiros, 4 técnicos de enfermagem, 6 socorristas e 2 equipes móveis. No risco especial sobe para 8 médicos, 10 enfermeiros, 20 técnicos, 30 socorristas e 8 equipes móveis.

Calor pode cancelar a largada

O protocolo cria uma escala de cores pela temperatura. Até 25°C a prova segue normal. Entre 30,1°C e 34°C, a organização tem de aumentar a equipe médica em 30% e abrir mais pontos de água e de resfriamento. Acima de 34°C, o plano médico é revisto na hora e a largada pode atrasar. Acima de 37°C, ou com combinação de fatores de risco extremo, a comissão técnica avalia suspender, adiar ou cancelar a corrida.

Fiscalização e punição

A Secretaria da Saúde pode fiscalizar antes, durante e depois da prova. Morte, parada cardíaca, uso de desfibrilador e atraso no socorro passam a ser tratados como evento sentinela, que exige análise técnica. O responsável médico tem 10 dias úteis para entregar relatório com os atendimentos e os tempos de resposta. Quem descumprir pode ser obrigado a corrigir a estrutura na hora e, se houver risco iminente, perde a autorização sanitária do evento.

Análise F5 ao vivo

São Paulo vive o auge das corridas de rua, com provas quase todo fim de semana e milhares de amadores no asfalto. Faltava uma régua clara para o socorro, e ela só veio depois de uma morte. O mérito do protocolo é tirar a decisão do bom senso de cada organizador e colocar número no papel: minutos, quilômetros, médicos e graus.

O teste real começa em dezembro, com o calor do verão e a São Silvestre no calendário. Regra boa no Diário Oficial não salva ninguém se a fiscalização não aparecer no dia da prova. Para quem corre, vale o recado de sempre: exame em dia, hidratação e respeito ao próprio limite, principalmente na reta final.

Fontes: g1 SP, Diário do Povo, Diário Oficial do Município de São Paulo (Portaria SMS nº 671/2026). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

Gostou? Mande para quem precisa saber

Veja também