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Richarlison mostra documentos da compra da ilha em Angra e cobra o advogado Willer Tomaz

Atacante divulgou cessões de direitos que somam R$ 4,66 milhões. Tomaz diz ter escritura registrada e certidão da SPU em seu nome, e tinha desafiado o jogador a provar a posse em 72 horas.

Por Redação F5 ao vivo
Praia e morros da Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ)
Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). A Ilha Comprida, alvo da disputa, fica no mesmo município Foto: Otávio Nogueira (CC BY 4.0)

O atacante Richarlison, do Tottenham, publicou nesta quarta-feira (21) um vídeo nas redes sociais com os papéis que, segundo ele, provam que comprou os direitos de ocupação de uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O vídeo é a resposta ao advogado Willer Tomaz, que hoje aparece como ocupante do imóvel e que, no domingo (18), tinha desafiado o jogador a mostrar qualquer prova.

O que o jogador mostrou

Os documentos são cessões de direitos de posse: uma fração de 25%, de R$ 875 mil, e outra de 75%, de R$ 2,625 milhões. Somam-se a isso duas compensações por benfeitorias, de R$ 400 mil e R$ 760 mil. No total, R$ 4,66 milhões pagos aos antigos ocupantes, segundo a TMC e o SBT News.

Na legenda, Richarlison diz ter gastado cerca de R$ 10 milhões no negócio, fechado em outubro de 2020 com o ex-deputado Alencar da Silveira Júnior. A diferença, pela versão dele, vem de reformas e gastos com segurança contra invasões. Ele afirma que a casa foi demolida e pede a devolução do imóvel e a reconstrução.

"Foi tudo na frente do juiz, foi tudo na frente do desembargador do Rio de Janeiro"

Richarlison, atacante do Tottenham

O jogador também reclamou da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Disse que esperou quase um ano por uma resposta, enquanto o pedido da outra parte andou em poucos dias. E se dirigiu direto ao advogado, lembrando a promessa de devolver a ilha se ele provasse a compra, e avisou que vai lutar "até o final".

O que diz Willer Tomaz

Tomaz falou antes do vídeo, no domingo à noite. Mostrou a escritura de compra e venda registrada no cartório de Angra dos Reis e uma certidão da SPU em seu nome, e disse ter comprado o imóvel de quem o ocupava desde 1986. Afirmou que a ação foi aberta em maio de 2022 e que a Polícia Federal investigou o caso e fechou o inquérito sem indiciar ninguém, segundo o Correio da Manhã.

O advogado disse que Richarlison nunca teve a posse e que desistiu do processo para não pagar os honorários da parte vencedora. O desafio dele tinha condição clara: um documento anterior a julho de 2022 que ligue o jogador ao imóvel, mais a prova dos R$ 10 milhões, em 72 horas. Cumprida a condição, ele passaria os direitos sem cobrar nada. Tomaz também disse que já processou o jogador. O SBT News procurou a defesa dele sobre o vídeo desta quarta e não teve resposta até a publicação.

Entenda a disputa

O terreno é da União. O que está em jogo é o direito de ocupação, e não a propriedade da ilha. A briga na Justiça começou em 2020. Em 2022, uma empresa representada por um advogado ligado a Tomaz conseguiu a reintegração de posse. O processo foi extinto em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, depois da renúncia de uma das partes, e arquivado em janeiro de 2026. Hoje a área está em nome da WT Administração de Imóveis, empresa associada a Tomaz.

O caso ganhou peso na reta final da eleição porque Tomaz é amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). A assessoria do senador nega qualquer papel na compra, venda ou intermediação do imóvel e chama a ligação de infundada e de motivação eleitoral. Richarlison nega usar o caso na campanha e diz que mandou mensagem ao senador em abril, sem resposta. Neste mês, o coletivo Derrubando Muros levou uma representação ao Ministério Público Federal pedindo que a rapidez do processo na SPU seja apurada.

Análise F5 ao vivo

Os documentos mostrados pelo jogador provam pagamento a antigos ocupantes. Não provam, sozinhos, que a posse foi dele. É exatamente esse ponto que Tomaz contesta com escritura registrada e certidão da SPU. Quem decide é a Justiça, e não a rede social de nenhum dos dois.

A conta também não fecha na versão do jogador. Ele fala em R$ 10 milhões, mas os papéis mostrados somam R$ 4,66 milhões. Se o resto é reforma e segurança, os recibos precisam aparecer. Do outro lado, a SPU deve explicar por que um pedido andou em dias e o outro esperou quase um ano.

Usar uma briga de imóvel para atingir um candidato a quatro dias da votação, sem nenhum documento que ligue o senador ao terreno, é ruído de campanha. O que importa aqui é a disputa entre o jogador e o advogado, e ela tem caminho: tribunal, com prova.

Fontes: SBT News, TMC, Correio da Manhã. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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