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Bolsa trava, cai 13,88% e dólar vai a R$ 5,40 no primeiro dia depois da reeleição de Lula

A B3 acionou o circuit breaker logo na abertura, a primeira vez desde março de 2020. Banco do Brasil perdeu quase 30% e o Ibovespa fechou pouco acima dos 176 mil pontos.

Por Redação F5 ao vivo
Operadores diante do painel de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo
Painel de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (foto de arquivo) Foto: Rafael Matsunaga (CC BY 2.0)

O mercado financeiro teve nesta segunda-feira (26) um dos piores dias da sua história. No primeiro pregão depois da reeleição de Lula (PT), o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, e o dólar comercial subiu 8,21%, terminando o dia a R$ 5,40. Na sexta-feira (23), o índice tinha fechado acima dos 205 mil pontos e o dólar valia R$ 4,99.

Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno de domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. As pesquisas da reta final apontavam vantagem de Flávio, e o resultado pegou os investidores de surpresa.

O que é o circuit breaker

O circuit breaker é a trava automática da B3 para dias de pânico. Quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, os negócios param por 30 minutos. Se a queda chega a 15% depois da volta, a pausa é de uma hora. Com 20%, a bolsa pode suspender de novo pelo tempo que decidir. A ideia é dar tempo para o investidor respirar e evitar vendas em cascata.

Nesta segunda, a trava foi acionada minutos depois da abertura, com queda de 10%. Foi a primeira vez desde março de 2020, no começo da pandemia de Covid-19. Quando os negócios voltaram, por volta das 10h40, a queda se aprofundou: no pior momento, o índice chegou a perder cerca de 17% e ficou abaixo dos 170 mil pontos.

Bancos e varejo no chão

Os bancos puxaram a queda. No fechamento, segundo o levantamento do Bom Dia Mercado:

  • Banco do Brasil: -29,33%, a R$ 17,47
  • BTG Pactual (unit): -24,83%, a R$ 60,00
  • Bradesco PN: -21,70%, a R$ 15,95
  • Itaú PN: -13,66%, a R$ 41,70
  • Santander (unit): -4,47%, a R$ 26,30

As maiores quedas do índice foram de Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%), empresas que dependem de juro baixo e de consumo forte. A Petrobras também apanhou: a ação preferencial caiu 8,18% e a ordinária, 6,81%. O volume negociado foi de R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média.

O dólar

O dólar abriu o dia a R$ 5,45 e chegou a passar de R$ 5,60 pela manhã, alta de mais de 12% sobre sexta, segundo o Poder360. Perdeu força ao longo da tarde e fechou a R$ 5,40. Os juros futuros também dispararam, sinal de que o mercado passou a cobrar mais caro para financiar o governo.

Para analistas ouvidos pelo Poder360, a reação mistura a surpresa com o resultado e a dúvida sobre a política econômica do quarto mandato. Gabriel Magno, da AW Capital, disse que os investidores cortam as expectativas para mais quatro anos do mesmo perfil de governo. Tatiana Goes, da Silo Multi Family Office, ponderou que o movimento não deve ser lido como julgamento definitivo e que tudo vai depender dos sinais do governo, do Congresso e da credibilidade fiscal.

Análise F5 ao vivo

O recado do mercado foi dado em um único pregão: quase 14% de valor sumiram da bolsa e o real perdeu mais de 8% contra o dólar. Boa parte desse valor é dinheiro de aposentado, de fundo de previdência e de quem investe pelo aplicativo do banco, que viu o patrimônio encolher numa manhã.

A conta chega rápido para o resto do país. Dólar mais caro encarece combustível, trigo, remédio e eletrônico, e pressiona a inflação. Juro futuro em alta deixa crédito, financiamento e cartão mais caros. O governo reeleito tem agora a chance de acalmar o mercado com uma regra fiscal crível e um nome forte na Fazenda. Se insistir em gasto sem freio, o pânico de hoje vira tendência.

Fontes: Metrópoles, Bom Dia Mercado, Poder360, SBT News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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