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Ao vivo Trump quebra o silêncio, diz que eleição do Brasil "parecia fraudada" e Milei segue calado
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Trump quebra o silêncio, diz que eleição do Brasil "parecia fraudada" e Milei segue calado

O presidente dos EUA falou com jornalistas nesta segunda (26), não reconheceu a vitória de Lula e disse que a margem foi "muito estranha". Ao menos 48 líderes já cumprimentaram o petista.

Por Redação F5 ao vivo
Trump e Lula conversam de pé, com as bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil ao fundo
Trump e Lula no encontro de outubro de 2025, em Kuala Lumpur, na Malásia Foto: The White House (domínio público)

Depois de quase um dia sem falar sobre o Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta segunda-feira (26) a reeleição de Lula (PT). Em conversa com jornalistas antes de embarcar no avião presidencial, ele disse que a disputa de domingo (25) passou uma imagem ruim para o mundo e levantou suspeita de fraude, sem apresentar provas.

Parecia mais uma eleição fraudada, francamente.

Donald Trump, presidente dos EUA, segundo o Poder360

Trump afirmou que não tomou partido na disputa e que eleições precisam ser indiscutíveis. A fala foi divulgada pelo perfil Rapid Response 47, da Casa Branca. Até a noite, o governo americano não tinha publicado nenhuma nota oficial reconhecendo o resultado.

"Gosto do Lula"

Na mesma conversa, Trump foi perguntado se pretende fazer alguma coisa em relação ao Brasil. Respondeu que governa os Estados Unidos, não o Brasil, e disse que gosta de Lula e se dá bem com ele. Mas voltou a desconfiar do placar: segundo o jornal A Gazeta, ele chamou a margem da vitória de "muito estranha".

Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. Na noite de domingo, Flávio não reconheceu a derrota e atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h no horário de Brasília. Nesta segunda, a campanha do senador disse que ele assume a liderança da oposição e que vai pedir na Justiça a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB).

O recado que veio antes

O silêncio de Trump já vinha chamando atenção desde a manhã. Em 2022, o então presidente Joe Biden cumprimentou Lula menos de 40 minutos depois da confirmação do resultado, como lembrou o Terra. Desta vez, segundo a Folha de S.Paulo, citada pela Gazeta do Povo, o Departamento de Estado chegou a preparar um comunicado parabenizando os brasileiros, mas segurou a divulgação depois que Flávio contestou o resultado.

Enquanto isso, Donald Trump Jr., filho do presidente, compartilhou uma publicação que chamava Lula de "próximo Nicolás Maduro", em referência ao ditador venezuelano, segundo o DOL. O advogado de Trump, Martin De Luca, e o próprio Trump Jr. já tinham criticado no domingo a prorrogação do horário de votação.

Milei continua calado

Na Argentina, Javier Milei também não se manifestou até a última atualização das fontes. No primeiro turno, ele tinha parabenizado Flávio por uma "eleição histórica" e tratado o senador como vencedor, embora a disputa tivesse ido para o segundo turno.

O isolamento dos dois contrasta com a lista de quem cumprimentou Lula. Ao menos 48 líderes mundiais se manifestaram, segundo o Poder360, entre eles China, Rússia, França, Índia, Canadá, Espanha e a União Europeia. Na América Latina, até presidentes de direita reconheceram o resultado: José Antonio Kast, do Chile, disse ter telefonado para Lula, e Santiago Peña (Paraguai), Keiko Fujimori (Peru), Daniel Noboa (Equador) e Rodrigo Paz (Bolívia) mandaram cumprimentos.

O colombiano Abelardo de La Espriella, que apoiou Bolsonaro, também aceitou o resultado. Escreveu no X que nem Lula decide pelos colombianos nem ele decide pelos brasileiros.

O que diz o Planalto

Segundo o Poder360, o governo considera irrelevante a falta de reconhecimento formal por Trump e Milei. A avaliação no Palácio do Planalto é que o aval de governos estrangeiros não muda a validade do resultado nem a relação atual com os dois países.

Análise F5 ao vivo

A fala de Trump não muda o resultado. Quem proclama eleito no Brasil é a Justiça Eleitoral, e nenhum governo estrangeiro tem poder sobre isso. Mas seria ingênuo achar que ela não pesa. Os Estados Unidos respondem por mais de 30% do investimento direto estrangeiro no país, como lembrou o economista Igor Lucena à Gazeta do Povo, e o mercado já mostrou nesta segunda, com a bolsa travada e o dólar em disparada, o tamanho do nervosismo.

A suspeita de Trump não veio do nada. Ela se apoia na decisão de um ministro do STF, ex-advogado de Lula, que mudou o horário de votação no próprio dia da eleição. Quem estica a regra no meio do jogo entrega o argumento para quem quer duvidar do placar, aqui e lá fora. A Constituição exige que a lei que altera o processo eleitoral seja aprovada com um ano de antecedência (art. 16). Uma canetada no dia da votação é exatamente o tipo de improviso que essa regra quis evitar.

O Planalto pode chamar de irrelevante, mas o quarto mandato começa sem o aval da maior potência do mundo e com o vizinho mais importante em silêncio. Lula prometeu na Paulista mudar o jeito de governar. O primeiro teste vai ser lidar com essa desconfiança sem transformar crítica em crise de soberania.

Fontes: Poder360, InfoMoney, A Gazeta, Gazeta do Povo, Terra (Estadão Conteúdo), DOL, O Tempo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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