Apoiadores de Lula protestam na porta da Meta na Faria Lima e não conseguem entregar carta
Ato no Itaim Bibi acusou a dona do Instagram de prejudicar a campanha do PT. Seguranças barraram o acesso ao diretor, e a Meta diz ao TSE que trata as duas candidaturas de forma igual.

Apoiadores do presidente Lula (PT) fizeram um protesto na segunda-feira (19) em frente à sede da Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3732, no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo. O grito do ato foi "Meta, não se meta".
Os manifestantes acusam a empresa de reduzir o alcance de conteúdos ligados a Lula e de favorecer o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25).
Bonecos, faixas e uma carta que não entrou
O ato foi puxado por entidades da sociedade civil. Segundo o Metrópoles, a carta destinada à empresa foi assinada pelas ONGs Código Não Binário, Artigo 19 Brasil e América do Sul e CTRL+Z. Havia bonecos infláveis de Donald Trump, Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg e faixas pedindo regulamentação das plataformas.
O grupo queria entregar o documento ao diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. Os seguranças do prédio não liberaram o acesso e só aceitaram passar a carta a um assessor de imprensa, na garagem. Os organizadores recusaram e disseram que vão mandar o texto por meio digital.
A carta pede transparência na moderação, canais para contestar bloqueios e o fim imediato de anúncios político-eleitorais pagos do exterior. Também sugere que a empresa peça desculpas publicamente aos eleitores.
Fui banido, mesmo com ordem judicial favorável
Thiago Torres Santos, o Chavoso da USP, à Agência Brasil
O que está no TSE
As duas campanhas reclamam da Meta na Justiça Eleitoral. A de Lula diz que perfis do petista perderam alcance e ficaram sem recurso de colaboração logo depois do debate da Band. A de Flávio afirma que as falhas o prejudicaram mais e que a plataforma deixou passar anúncios negativos contra ele e anúncios do PT feitos com inteligência artificial sem o aviso obrigatório.
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar da propaganda do TSE, mandou a empresa aplicar os mesmos critérios às duas candidaturas, sob multa diária de R$ 500 mil. Na mesma decisão, ele registrou que não havia prova de manipulação deliberada de algoritmo para ajudar um dos lados.
Na segunda (19), a Meta entregou ao tribunal um relatório dizendo que os conteúdos dos dois candidatos são tratados "de forma igual e não discriminatória" e pediu uma reunião com o ministro nesta terça (20). Em nota da semana passada, a empresa negou interferir na eleição, mas admitiu falhas técnicas temporárias que atingiram a campanha de Lula.
E agora
O PT anunciou nova representação para que o TSE reconheça descumprimento da ordem e levou o caso a observadores da União Europeia e da OEA. Lula e Flávio voltam a se encontrar na sexta-feira (23), no debate da TV Globo.
Análise F5 ao vivo
O protesto na Faria Lima tem um detalhe que o slogan esconde: a queixa contra a Meta não é só do PT. A campanha de Flávio também foi ao TSE dizendo que saiu perdendo. Quando os dois lados reclamam do mesmo juiz de futebol, a primeira suspeita é de falha de arbitragem, não de time escalado.
O próprio ministro que manda na propaganda escreveu que não viu prova de algoritmo manipulado. A cobrança por regra igual para todos é justa e está na lei. Transformar falha técnica em fraude eleitoral, a cinco dias da votação, é outra coisa, e o eleitor merece prova antes de acusação.
Há ainda um cuidado que vale para os dois lados: pressionar plataforma para derrubar ou segurar conteúdo é caminho perigoso para a liberdade de expressão garantida no artigo 220 da Constituição. Transparência sim, tutela sobre o que o brasileiro pode ver, não.
Fontes: Metrópoles, Agência Brasil (via CartaCapital), UOL (vídeo), Poder360: PT diz que Meta restringiu perfil de Lula, Poder360: Meta diz ao TSE que trata campanhas de forma igual. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.




