Morre aos 90 anos Margaret Hamilton, que chefiou o software que pousou a Apollo 11 na Lua
O MIT anunciou nesta quarta (7) a morte da cientista, que criou o termo engenharia de software e cujo programa salvou o pouso de 1969 quando o computador da nave disparou alarmes.

A cientista americana Margaret Hamilton, que liderou a equipe responsável pelo software de voo do programa Apollo, da Nasa, morreu aos 90 anos. A morte foi em 30 de setembro e só foi divulgada nesta quarta-feira (7), em nota do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde ela trabalhou de 1959 até meados dos anos 1970. A causa não foi informada.
O nome dela está entre os mais buscados do Google no Brasil nesta quinta-feira (8), à frente de assuntos como o feriado de 12 de outubro e o Nobel de Literatura.
O alarme que quase cancelou o pouso
Em julho de 1969, minutos antes de o módulo lunar da Apollo 11 tocar o solo, o computador de bordo começou a acusar o erro 1202. Segundo o MIT, o problema vinha de uma chave de hardware em posição errada, que encheu a máquina de tarefas desnecessárias.
O programa escrito pela equipe de Hamilton tinha sido pensado para isso. Ele deixava de lado o que não era essencial e mantinha só as funções do pouso. Com isso, a Nasa autorizou seguir em frente, e Neil Armstrong e Buzz Aldrin desceram na Lua.
A primeira programadora do projeto
Hamilton chegou ao MIT em 1959, no departamento de meteorologia. Em 1961 foi trabalhar no Lincoln Laboratory, no sistema de defesa aérea SAGE. Em 1965 virou a primeira programadora contratada para o projeto Apollo no Instrumentation Laboratory, e em 1968 já era diretora assistente do time do módulo de comando, com mais de 400 pessoas envolvidas no software.
Foi ela quem cunhou a expressão engenharia de software, numa época em que programar não era visto como engenharia de verdade. Depois do MIT, fundou a Higher Order Software, em 1976, e a Hamilton Technologies, nos anos 1980.
Homenagens
Ela recebeu da Nasa o Exceptional Space Act Award em 2003 e, em 2016, a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos, entregue por Barack Obama. Em 2022 entrou para o Hall da Fama Nacional da Aviação.
"Dizer que ela estava à frente de seu tempo seria um grande eufemismo"
Olivier de Weck, chefe interino de Aeronáutica e Astronáutica do MIT
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, escreveu no X que o trabalho de Hamilton tornou possíveis as primeiras viagens da humanidade à Lua. Ela deixa a filha, Lauren, dois netos e quatro bisnetos.
Análise F5 ao vivo
A foto mais famosa de Hamilton mostra uma mulher jovem ao lado de uma pilha de papel da altura dela: era o código da Apollo impresso. A imagem diz muito sobre o tamanho do trabalho e sobre o tempo em que ele foi feito, sem tela, sem internet e sem margem para erro.
O episódio do alarme 1202 é a melhor aula que ela deixou. O sistema não foi feito para nunca falhar, foi feito para saber o que fazer quando algo falhasse. É a mesma lógica que hoje segura bancos, aviões e o celular no bolso de cada brasileiro.
Por isso o nome dela voltou às buscas com força. Pouca gente sabia quem escreveu o programa que levou o homem à Lua, e muita gente descobriu nesta semana.
Fontes: MIT News, Estadão (via Terra), Google Trends Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.




