Exército de Mianmar bombardeia igreja presbiteriana e queima templo batista em três dias
Caças atingiram a igreja presbiteriana de Mindat, no estado Chin, e soldados puseram fogo numa igreja batista kachin perto de Bhamo. A CSW fala em violação do direito internacional.

O exército de Mianmar destruiu duas igrejas em menos de uma semana, em duas regiões de maioria cristã do país. Os ataques foram registrados pela organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), que acompanha a perseguição religiosa no mundo, e divulgados nesta semana por veículos cristãos internacionais.
Bombas em Mindat
No dia 9 de outubro, dois caças da junta militar lançaram quatro bombas sobre a cidade de Mindat, no estado Chin, no oeste do país. Um dos alvos foi o complexo da igreja presbiteriana local, que ficou devastado. Não houve registro de mortos ou feridos.
Mindat já tinha sido alvo antes. Em fevereiro de 2025, a catedral católica do Sagrado Coração foi danificada por bombardeio poucos dias depois de ser elevada a sé da nova diocese.
Fogo perto de Bhamo
Três dias depois, em 12 de outubro, soldados de duas divisões de infantaria leve do exército puseram fogo na igreja batista kachin de Htingnan e nas casas em volta, numa vila na estrada entre Bhamo e Momauk, no estado Kachin, no norte. O porta-voz do Exército de Independência Kachin (KIA), coronel Naw Bu, confirmou o incêndio ao jornal The Irrawaddy e disse que há confrontos frequentes na região, onde a junta tenta retomar a cidade de Bhamo.
Igreja que também é abrigo
Segundo a CSW, as duas igrejas também funcionavam como abrigo de emergência, escola e ponto de entrega de ajuda para quem foge da guerra. A entidade diz que os ataques fazem parte de uma campanha contra templos em regiões de minorias étnicas, usada para punir civis pela resistência armada.
"Violações claras do direito internacional humanitário e da liberdade de religião ou crença"
Mervyn Thomas, presidente fundador da CSW
A organização pediu que os governos estrangeiros cortem o acesso da junta a combustível de aviação e a equipamento militar.
O tamanho do problema
Mianmar está em 14º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, com 81 de 100 pontos, na faixa de perseguição extrema. São cerca de 4,6 milhões de cristãos no país, concentrados nos estados Chin, Kachin e Karen. O levantamento Myanmar Witness contou mais de 300 bombardeios a locais religiosos, entre igrejas, mesquitas e mosteiros budistas, de janeiro de 2024 a dezembro de 2025. A agência católica Fides informa que 21 das 22 igrejas da cidade de Thantlang, no estado Chin, foram destruídas desde o golpe de 2021.
Análise F5 ao vivo
Bombardear igreja não é efeito colateral quando acontece de novo, na mesma cidade, contra o mesmo povo. Em Mindat, o templo é o lugar onde a família se esconde, a criança estuda e o arroz é distribuído. Atingir esse prédio é atingir o último lugar seguro de uma comunidade inteira.
A guerra civil em Mianmar começou com o golpe de fevereiro de 2021 e quase não aparece no noticiário brasileiro. Os cristãos chin e kachin são minoria num país de maioria budista e estão justamente nas regiões onde o exército mais ataca. A igreja brasileira, que ora pela igreja perseguida na Nigéria e na Índia, tem motivo de sobra para incluir Mianmar na lista.
Fontes: Charisma News, Worthy News, The Irrawaddy. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






