Caiado descarta aposentadoria e abre caminho para tentar o governo de Goiás em 2030
Quinto colocado na disputa presidencial, o ex-governador diz que segue na vida pública, assume o PSD goiano para 2028 e deixa em aberto um terceiro mandato no Palácio das Esmeraldas.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) avisou que não vai deixar a política depois da derrota na corrida pelo Palácio do Planalto. Ele terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos, e agora volta as atenções para Goiás, onde preside o PSD estadual desde março.
Em entrevista ao jornal O Popular, repercutida por O Hoje e pelo Diário da Manhã de Anápolis, Caiado admitiu a possibilidade de disputar de novo o governo do estado em 2030. Naquele ano, o atual governador Daniel Vilela (MDB), que venceu em outubro no primeiro turno, não poderá concorrer à reeleição.
Eu sou um homem que não vou me aposentar da vida pública
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás
Sem mandato pela primeira vez desde 1998
Caiado renunciou ao governo em março para disputar a Presidência. Com a derrota, ficará sem cargo eletivo a partir de janeiro, situação que não vivia desde que voltou à Câmara dos Deputados em 1998. Depois disso, foram quatro mandatos seguidos de deputado federal, uma vaga no Senado em 2014 e duas vitórias no primeiro turno para governador, em 2018 e 2022.
Ele lembrou que já passou por um período parecido. Em 1994, depois de perder a eleição estadual para Maguito Vilela, pai do atual governador, voltou ao consultório médico por quatro anos antes de retomar a carreira política. Disse ainda que deixou o governo com 88% de aprovação.
PSD em 2028 e o mandato de Gracinha
A primeira tarefa anunciada é fortalecer o PSD nas eleições municipais de 2028. Caiado contou que já se reuniu com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e que um novo encontro estava previsto para esta semana, para tratar da legenda em Goiás e no país.
Outra frente é acompanhar o mandato da mulher, Gracinha Caiado (União Brasil), eleita senadora por Goiás em outubro, na estreia dela em uma eleição. Segundo o Platô BR, ainda não se sabe se em 2030 seria ela ou o próprio Caiado a buscar o governo estadual.
O acordo do vice
Nos bastidores, a volta de Caiado ao Palácio das Esmeraldas já entra nas contas. A escolha de Luiz Carlos do Carmo para vice de Daniel Vilela teria incluído o compromisso de que ele não disputaria a reeleição caso assuma o governo em abril de 2030, se Daniel sair para concorrer ao Senado. Durante a pré-campanha, Luiz do Carmo disse que não seria obstáculo se Caiado quisesse voltar.
Para quem mora em Goiás, o movimento indica que o grupo que governa o estado desde 2019 pretende seguir unido até a próxima eleição, com Caiado de novo como peça central da articulação.
Análise F5 ao vivo
Caiado sai da eleição presidencial menor do que entrou no cenário nacional, mas continua sendo o político mais forte de Goiás. A aprovação alta no fim do governo e a eleição de Gracinha ao Senado mostram que o eleitor goiano separa o voto para presidente do voto para o estado.
O risco está na relação com Daniel Vilela. A história recente de Goiás tem dois casos de padrinhos que voltaram para disputar a cadeira deixada ao afilhado, e só um terminou bem. Se o acordo com o vice for cumprido e Daniel aceitar o papel de candidato ao Senado, o grupo chega a 2030 organizado. Se houver disputa por espaço antes disso, a oposição ganha uma brecha que hoje não tem.
Fontes: O Hoje, Diário da Manhã Anápolis, Platô BR, O Popular. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






