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Opinião

O mercado já cobra a conta do quarto mandato, e o governo finge que não ouviu

Risco-país no maior nível desde março, Bolsa em queda de 17% na semana e dívida recorde. Enquanto isso, ministros de Lula dizem que ajuste fiscal nem está em discussão.

Por Editorial F5 ao vivo
Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília Foto: Banco Central do Brasil (CC BY 2.0)

O resultado da eleição saiu no domingo. Na segunda-feira, o mercado deu a sua resposta, e ela não foi educada. O CDS de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, saltou de 120,21 para 143,87 pontos de um dia para o outro, o maior patamar desde março, segundo o Poder360. No mesmo pregão, o Ibovespa caiu 13,88%, o dólar encostou em R$ 5,60 e os juros futuros de longo prazo passaram de 15% ao ano.

Até quinta-feira, a Bolsa acumulava perda de cerca de 17,5% na semana, de acordo com a Gazeta do Povo. Não é humor de um dia. É gente que põe dinheiro no país refazendo a conta do que vem pela frente.

A dívida que ninguém quer olhar

Os números do próprio governo ajudam a entender o medo. O Tesouro Nacional informou que a dívida pública federal chegou a R$ 9,38 trilhões em setembro. Só no mês, ela cresceu R$ 90,22 bilhões, e quase tudo isso (99,2%) foram juros. Desde janeiro, o estoque subiu R$ 747,86 bilhões, alta de 8,7%.

No último dado do Banco Central, a dívida bruta do governo geral bateu 82,9% do PIB, o maior nível desde março de 2021, quando o país ainda pagava a conta da pandemia. Com a Selic em 13,75% ao ano, cada real de dívida custa caro, e quem paga é o contribuinte.

A resposta do governo: nenhuma

Diante desse quadro, o recado que saiu do Planalto foi o oposto do que o mercado esperava. O ministro José Guimarães, das Relações Institucionais, disse na terça-feira que um pacote de ajuste não está na mesa.

"Esse assunto não foi discutido, e nem está sendo discutido"

José Guimarães, ministro das Relações Institucionais

O ministro Guilherme Boulos foi além e tratou o corte de gastos como coisa derrotada.

"O tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular"

Guilherme Boulos, ministro

Na mesma linha, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) defende revogar o arcabouço fiscal, e o ex-ministro Guido Mantega chama os alertas de "exagero da Faria Lima". Segundo a Gazeta do Povo, o Gastômetro do Estadão já soma R$ 405 bilhões em gastos extras ligados a 46 medidas, e a Instituição Fiscal Independente estima em R$ 40 bilhões o impacto de só três delas.

Análise F5 ao vivo

O quarto mandato começa com uma escolha clara: ou o governo mostra de onde vem o dinheiro, ou o mercado continua cobrando juros cada vez mais altos para financiar o Brasil. Dizer que o ajuste "nem está sendo discutido" na semana em que a Bolsa derreteu 17% não é coragem política. É recusar a aritmética. Dívida não se paga com discurso de palanque.

O argumento de que tudo é "exagero da Faria Lima" esconde quem sofre de verdade com o descontrole. Quando o dólar sobe, sobe o preço do pão, do remédio e da gasolina. Quando os juros futuros passam de 15%, fica mais caro o financiamento da casa e o crédito do pequeno comerciante. A conta não chega ao banqueiro primeiro. Chega a quem mora de aluguel e vive de salário.

A Lei de Responsabilidade Fiscal e o próprio arcabouço existem para impedir que um governo gaste hoje o que os filhos dos brasileiros vão pagar amanhã. Revogar a regra porque ela incomoda é o caminho que o país já conheceu entre 2014 e 2016, com recessão e desemprego. O mercado está avisando cedo. Seria prudente ouvir.

Fontes: Poder360: risco-país sobe ao maior nível desde março, Gazeta do Povo: aliados de Lula rejeitam ajuste nas contas, Poder360: dívida pública federal bate R$ 9,38 tri (Tesouro Nacional), Poder360: dívida bruta atinge 82,9% do PIB (Banco Central). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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