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Opinião

Rafael Fonteles na Fazenda: o recado de Lula ao mercado

O governador do Piauí é o nome mais citado para a Fazenda do quarto mandato. Lula diz não ter pressa, o governo bate cabeça sobre pacote fiscal e a Bolsa segue sem reação depois do tombo de segunda.

Por Editorial F5 ao vivo
Rafael Fonteles em audiência na Câmara dos Deputados em 2019, quando presidia o Comsefaz
Rafael Fonteles em audiência na Câmara dos Deputados em 2019, quando presidia o Comsefaz Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0)

Dois dias depois da reeleição, o governo Lula ainda não disse quem vai cuidar do dinheiro do país no quarto mandato. E a demora tem preço. Na segunda-feira (26), a Bolsa caiu perto de 13,8% e o dólar subiu 8,25%, fechando a R$ 5,40. Nesta terça (27), o Ibovespa passou o dia perto de 176 mil pontos, ainda no vermelho, e o dólar recuou para a casa de R$ 5,33, sem devolver o estrago.

O nome que circula

O mais citado é Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí pelo PT. Segundo a Reuters, ele divide a lista com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Aliados do presidente dizem que Fonteles topa deixar o governo estadual para ir a Brasília. Ele é matemático, foi secretário de Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e presidiu o comitê dos secretários estaduais de Fazenda, o Comsefaz, entre 2019 e 2021.

O próprio Fonteles nega. Ao desembarcar em Teresina na segunda, disse que o assunto nunca foi tratado com Lula e completou:

Eu não tenho nem como cogitar essa hipótese. Eu quero é comemorar.

Rafael Fonteles, governador do Piauí

O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o nome de excelente, mas afirmou que não conversou com Lula sobre a equipe. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, descartou ir para a pasta e lembrou que o mandato dele vai até 2028.

Recados trocados

Durigan defendeu dar um sinal ao mercado e disse que o governo tem medidas fiscais prontas, entre elas um projeto para perseguir o centro da meta. No mesmo dia, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que nenhum pacote fiscal foi discutido. Interlocutores do Planalto contam que Lula quer esperar alguns dias e não pretende responder ao que chama de movimento especulativo do mercado.

O que está em jogo

O próximo ministro herda um arcabouço fiscal (Lei Complementar 200, de 2023) que já vinha sendo esticado, um dólar pressionado e investidores que acabaram de tirar centenas de bilhões de reais da Bolsa em um único pregão. A escolha vai dizer se o quarto mandato aposta em corte de gasto ou em mais Estado.

Análise F5 ao vivo

Fonteles tem currículo de contas arrumadas no Piauí, e isso conta. O problema não é o currículo. É o que a escolha diz. Um governador petista, cria política do presidente, chega à Fazenda como extensão do Planalto, não como contrapeso. O mercado não está pedindo um banqueiro. Está pedindo alguém que consiga dizer não a Lula quando a conta não fechar. Até agora, ninguém no governo mostrou que esse alguém existe.

Pior que o nome é a bagunça. Um ministro diz que há medidas prontas, outro diz que nada foi discutido, e o presidente chama de especulação a reação de quem empresta dinheiro ao país. Quem paga essa birra é o brasileiro comum, no preço do pão, do remédio importado e da prestação que sobe junto com o dólar e os juros.

Lula pode escolher quem quiser. É direito dele. Mas a confiança não se decreta: se conquista com plano escrito, meta crível e gente com autonomia para cumprir. Enquanto o Planalto tratar o mercado como adversário de palanque, nenhum nome na Fazenda vai fazer milagre.

Fontes: InfoMoney, SBT News, Revista Fórum. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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