Lula promete apoio do PT à recondução de Motta e Alcolumbre e acerta pauta no Congresso
Um dia depois da reeleição, o presidente recebeu os chefes da Câmara e do Senado no Alvorada, fora da agenda oficial, e pediu pressa na PEC da Segurança e na PEC da tarifa zero.

O presidente Lula recebeu na segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro aconteceu um dia depois da reeleição para o quarto mandato e não constava da agenda oficial.
Segundo a Agência Estado, Lula comunicou aos dois que o PT vai apoiar a recondução de ambos na eleição das Mesas, marcada para 1º de fevereiro de 2027. O apoio ainda não foi anunciado oficialmente. O Poder360 informa que o partido deve formalizar nesta terça-feira (27) o apoio a Motta e, em troca, quer espaço na Mesa Diretora e o comando de comissões como a CCJ, a de Orçamento e a de Finanças e Tributação.
O que o governo pediu
Na conversa, Lula pediu a Alcolumbre empenho para aprovar a PEC da Segurança, que amplia o papel da União no combate ao crime organizado. O texto saiu da pauta pouco antes do segundo turno por causa da divergência sobre a redução da maioridade penal.
O presidente agora diz ser a favor de baixar a maioridade de 18 para 16 anos em crimes hediondos, mas quer que a PEC seja votada como está, porque qualquer emenda obriga a Câmara a analisar o texto de novo. Ele prometeu criar o Ministério da Segurança assim que o Senado aprovar a proposta.
A outra prioridade do PT é votar até o fim do ano a PEC da tarifa zero, enviada por Lula ao Congresso em 21 de outubro. A proposta prevê ônibus gratuito nos fins de semana e feriados a partir de 2027, pago com 26,8% das emendas parlamentares individuais e de bancada de execução obrigatória.
Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em nota
O Congresso que vem aí
O cenário é mais difícil para o governo. O PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027, com 121 deputados, 24 a mais que em 2022. A federação PT, PCdoB e PV fica com 88. Para maioria absoluta são necessários 257 votos, e o Centrão segue decisivo: União Brasil e PP somam 87 deputados, PSD tem 43, Republicanos 41 e MDB 36.
No Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pretende disputar a presidência da Casa contra Alcolumbre, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também quer o posto. Na Câmara, o PL ainda está dividido: uma ala quer lançar Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e outra defende seguir com Motta.
Análise F5 ao vivo
A cena no Alvorada mostra o caminho que Lula escolheu para o quarto mandato: em vez de conquistar o Congresso que as urnas mandaram, comprar a fidelidade de quem já manda nele. O apoio à recondução vem antes de qualquer debate público, numa reunião fora da agenda, e a fatura é paga com cargos na Mesa e nas comissões mais poderosas.
A PEC da tarifa zero é o outro sinal. Tirar 26,8% das emendas obrigatórias para bancar ônibus de graça mexe direto no dinheiro que cada parlamentar leva para a sua base, e o desenho do repasse ficou para regulamentação posterior. É o tipo de conta aberta que o mercado já castigou na segunda-feira.
Com 121 deputados, o PL tem tamanho para disputar a Mesa ou ao menos cobrar caro por qualquer acordo. Se a oposição se dividir entre Marinho e Tereza Cristina no Senado e entre Sóstenes e Motta na Câmara, o governo leva os dois comandos sem esforço. A primeira prova da nova oposição será justamente fevereiro.
Fontes: O Povo / Agência Estado, Poder360, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






