Goiânia tem a maior inflação do país em 2026, e tomate e cebola quase dobram de preço
Prévia do IBGE mostra alta de 4,76% na capital de janeiro a outubro, contra 4,15% no Brasil. Em 12 meses são 5,38%, também a maior taxa entre as capitais pesquisadas.

Quem mora em Goiânia está pagando mais caro do que o resto do país. Pela prévia da inflação de outubro, o IPCA-15 divulgado pelo IBGE na última quinta-feira (23), a capital acumula alta de 4,76% de janeiro a outubro. É o maior índice entre todas as cidades pesquisadas, à frente de Fortaleza (4,66%) e do Rio de Janeiro (4,57%). A média do Brasil no mesmo período ficou em 4,15%.
No acumulado de 12 meses a situação se repete: 5,38% em Goiânia, contra 4,62% no país. Também é a taxa mais alta do levantamento.
O mês de outubro
Só em outubro, a prévia subiu 0,44% na capital, acima dos 0,32% da média nacional. Foi a terceira maior alta do mês, atrás de Belém (0,76%) e Belo Horizonte (0,59%). O ritmo diminuiu em relação a setembro, quando Goiânia tinha marcado 0,95%.
Para o período de janeiro a outubro, é o resultado mais alto da cidade desde 2021, ano em que o mesmo recorte chegou a 8,06%. Em 2025 o acumulado estava em 3,86%.
A feira ficou mais cara
O que mais pesou foi a comida de casa. A alimentação no domicílio subiu 1,81% em outubro em Goiânia, quase o dobro da média nacional (1,01%). O grupo de tubérculos, raízes e legumes disparou 18,72% no mês, com o tomate subindo 32,59% e a cebola, 16,45%. As carnes avançaram 0,73%.
No ano, a conta da feira assusta: o tomate acumula alta de 93,61% e a cebola, de 90,80%. Na prática, os dois quase dobraram de preço desde janeiro. As carnes estão 9,27% mais caras.
Quem tem carro ou moto também sentiu. Conserto de automóvel subiu 3,02% no mês, motocicleta 5,08% e óleo lubrificante 2,59%.
O que aliviou
Alguns itens seguraram o índice. Saúde e cuidados pessoais caíram 0,87% em outubro, com remédios 1,38% mais baratos. A energia elétrica residencial recuou 1,63% no mês e acumula queda de 4,43% no ano em Goiânia, enquanto no país a conta de luz subiu 3,66%. O automóvel novo e o seguro de veículo também ficaram um pouco mais baratos.
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial. Os preços desta edição foram coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro. O IPCA fechado de outubro ainda será divulgado pelo IBGE.
Análise F5 ao vivo
O número pega o goiano onde dói: na comida do dia a dia. Tomate e cebola quase dobrando de preço em dez meses não é detalhe estatístico, é o almoço da família ficando mais caro toda semana. E o salário não acompanhou esse ritmo.
Ser a capital com a maior inflação do país por meses seguidos pede explicação de quem cuida da economia local. Abastecimento, frete e a cadeia de hortifrúti da região precisam ser olhados de perto, porque a energia mais barata mostra que nem tudo subiu. O problema está concentrado na mesa.
Para o consumidor, a saída imediata é pesquisar preço e trocar produtos da época. Para o poder público, é entender por que Goiânia paga mais do que Fortaleza, Rio e São Paulo pelo mesmo tomate.
Fontes: IBGE: IPCA-15 de outubro de 2026, Diário de Goiás, STG News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






