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Conab prevê 35,9 milhões de toneladas de grãos em Goiás, puxadas pelo milho do etanol

Goiás deve colher 7,8% a mais na safra 2026/27, o maior crescimento entre os cinco grandes produtores. O plantio, porém, começou atrasado por causa do calor e da chuva irregular.

Por Redação F5 ao vivo
Colheitadeiras descarregam soja em caminhão contra o sol, em Goiatuba
Colheita de soja em Goiatuba, no sul de Goiás Foto: Tiago Firmino Boaven…/Panoramio (CC BY 3.0)

Goiás deve colher 35,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, 7,8% a mais que os 33,3 milhões do ciclo passado. A estimativa é do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a nova safra, e o detalhamento goiano foi divulgado nesta quinta-feira (22) pela Secretaria de Agricultura do Estado.

O crescimento previsto para Goiás é o maior entre os cinco estados que mais produzem grãos no país. Para o Brasil inteiro, a Conab projeta 367,1 milhões de toneladas, alta de 1,4%. Goiás segue em quarto lugar no ranking nacional, com 9,8% de tudo o que o país colhe.

Mais rendimento do que área

A área plantada no estado cresce pouco: 1,9%, de 7,9 milhões para 8,1 milhões de hectares. O salto vem da produtividade, estimada em 4,4 toneladas por hectare, 5,8% acima da safra anterior. Segundo a Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), parte do ganho vem da recuperação de pastagens degradadas, com destaque para o Vale do Araguaia, sem abrir área nova de Cerrado.

O milho puxa a conta

O milho é a cultura que mais cresce. A produção total no estado deve chegar perto de 12,4 milhões de toneladas, alta de 19,7%. Só a segunda safra, a maior delas, deve somar 10,4 milhões de toneladas. A Conab liga a expansão às usinas de etanol de milho, que ampliaram a capacidade e garantem procura firme pelo grão.

A soja, principal produto do campo goiano, fica praticamente estável: 20,3 milhões de toneladas, alta de 0,8%, cerca de 11,2% da soja do Brasil. No sorgo, Goiás lidera o país e deve colher 2,4 milhões de toneladas, quase 20% a mais. No girassol, o estado concentra 74,2% da produção nacional.

  • Feijão: 295,9 mil toneladas, queda de 4,3%
  • Algodão em caroço: 81,9 mil toneladas, queda de 8,7%

Plantio atrasado e calor no caminho

Os números são uma previsão e dependem do tempo. Até 12 de outubro, só 7% da área de soja prevista em Goiás estava semeada, contra uma média histórica de 10% para a data, segundo o acompanhamento de campo da Conab. Fora das áreas irrigadas por pivô, como em Cristalina, muitos produtores seguraram a semeadura à espera de chuva firme.

Goiás cresce acima da média nacional, com ganho de área, produtividade e principalmente produção.

Ademar Leal, secretário de Agricultura de Goiás

O atraso pesa no milho. Se a soja for plantada tarde, a janela para o milho de segunda safra encurta e a lavoura fica mais exposta ao período seco do começo de 2027.

Análise F5 ao vivo

Para quem mora em Goiás, safra grande é emprego no interior, frete rodando e arrecadação para o estado. O destaque do milho mostra que a usina de etanol virou motor do campo goiano: ela compra o grão perto da lavoura, paga melhor e devolve ração para a pecuária.

O número, porém, ainda é aposta. Plantio atrasado e calor forte são justamente o que derruba previsão de safra. O feijão em queda merece atenção de quem faz a feira, porque é a cultura que mais encolhe no estado. Os próximos levantamentos da Conab vão dizer se a chuva chegou a tempo.

Fontes: A Redação (dados da Conab e da Seapa), Agrolink, O Hoje, Agência Gov. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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