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Moraes cancela passaportes de Flávio Bolsonaro e o proíbe de sair do país horas após a derrota

Pedido da PF foi assinado sete minutos depois de o TSE confirmar o resultado, e a ordem saiu na mesma noite, sem ouvir a PGR. Flávio diz que é intimidação.

Por Redação F5 ao vivo
Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva no Senado ao lado do advogado Frederick Wassef, em 2021
Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva no Senado, em 2021, ao lado do advogado Frederick Wassef Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive o diplomático, e o proibiu de deixar o Brasil. A ordem também manda o senador entregar à Polícia Federal, em 24 horas, qualquer passaporte de outro país e o impede de falar, direta ou indiretamente, com o advogado Willer Tomaz.

A decisão corre em segredo de justiça. Quem tornou o caso público foi o próprio Flávio, num vídeo nas redes sociais na segunda-feira (26), um dia depois de perder o segundo turno para Lula por cerca de 4,4 milhões de votos.

Intimado na porta da casa do pai

Segundo o senador, a PF o abordou na rua quando ele saía da casa de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. No vídeo, ele contestou a medida e perguntou se o tratamento seria o mesmo caso tivesse vencido.

Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?

Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ)

Flávio disse que vai cumprir a ordem, que vai recorrer e que considera a decisão uma tentativa de intimidação. Ele negou ter pensado em sair do país.

Sete minutos depois do resultado

Segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a representação da PF, de 16 páginas, foi assinada às 21h16 de domingo (25), sete minutos depois de o sistema do TSE confirmar o resultado, às 21h09. A PF falou em risco de fuga. Moraes atendeu ainda naquela noite, sem consultar antes a Procuradoria-Geral da República, por considerar o caso urgente.

O pedido se apoia em três pontos: a investigação de lavagem de dinheiro que envolve Willer Tomaz, que está em Miami desde agosto; a ligação de Flávio com a empresa Alcazar Holdings, com sede na Ilha da Madeira, em Portugal; e uma declaração de Eduardo Bolsonaro, em 23 de outubro, num programa nos Estados Unidos, a favor de o irmão deixar o país se perdesse a eleição. Os deputados Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) também tinham pedido a apreensão.

O inquérito

Flávio e Willer Tomaz são investigados no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com Moraes como relator. Na semana passada, o ministro bloqueou até R$ 6 bilhões do advogado e cancelou os passaportes dele. A defesa de Flávio diz que a relação com Tomaz é uma amizade entre famílias e nega que os dois dividam conta bancária. Ambos negam irregularidades.

Na mesma segunda-feira, Flávio disse que não reconhece o resultado e que vai pedir ao TSE a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou ter segurança do processo eleitoral e disse que a prorrogação da votação até as 19h não comprometeu a totalização.

Análise F5 ao vivo

Ninguém está acima da lei, e um senador investigado pode, sim, sofrer medida cautelar. O que chama atenção é o relógio. Um pedido de 16 páginas assinado sete minutos depois do resultado e atendido na mesma noite, sem ouvir o Ministério Público, mostra que a medida estava pronta à espera de um placar. Se o risco de fuga existia, existia antes da eleição. Se só passou a existir com a derrota, a cautelar virou reação ao resultado das urnas.

O artigo 129 da Constituição põe o Ministério Público como titular da ação penal, e o artigo 282 do Código de Processo Penal manda ouvir a outra parte antes da cautelar, salvo urgência justificada. Pular a PGR em caso de um líder da oposição, na noite da eleição e com base sobretudo na fala de um irmão, é o tipo de decisão que precisa de fundamento público. Com o processo sob sigilo, o país só conhece a versão do investigado e o que vazou para a imprensa.

O caminho para dar tranquilidade é simples: tirar o sigilo da parte que trata da cautelar e deixar a PGR se manifestar. Num país que acabou de sair de uma eleição apertada e contestada, Justiça que age no escuro alimenta a desconfiança que ela diz combater.

Fontes: Agência Brasil, Gazeta do Povo, Revista Fórum (a partir de O Globo), Tribuna do Norte. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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