Sara Araújo, pioneira do gospel no Brasil, morre aos 80 anos em Goiânia
Cantora gravou cerca de 40 discos, dedicou 65 anos à Assembleia de Deus e é apontada como a primeira evangélica a lançar disco solo no país, em 1966.

A cantora Sara Araújo, uma das vozes pioneiras da música evangélica no Brasil, morreu na noite de sábado (24), aos 80 anos, em Goiânia. Ela estava internada na UTI de um hospital da capital depois de uma cirurgia de emergência feita na sexta-feira (23).
Segundo a imprensa, a cirurgia foi para tratar uma hérnia. A família não detalhou oficialmente a causa da morte. A notícia foi dada nas redes sociais pela filha, a harpista Aline Araújo, que foi adotada por Sara.
O velório foi no domingo (25), no Complexo Vale do Cerrado, às margens da GO-060, em Goiânia, onde ela também foi sepultada.
Primeiro disco solo de uma evangélica
Sara Ribeiro de Castilhos Miranda, o nome de registro, gravou cerca de 40 discos ao longo da carreira. Uma dissertação de mestrado da PUC-SP, do pesquisador Edson Alencar Silva, a aponta como a primeira cantora evangélica a lançar um disco solo no Brasil, em 1966.
Na juventude, no Rio Grande do Sul, chegou a dividir o palco com Elis Regina numa apresentação do programa Clube do Guri. Escolheu o caminho da igreja e passou 65 anos cantando e servindo como missionária na Assembleia de Deus.
Creche e órfãos em Uberlândia
Fora dos templos, Sara fundou a Creche Comunitária Esperança, em Uberlândia (MG), que atende cerca de 100 crianças em situação de vulnerabilidade. Também criou um orfanato que acolheu 20 crianças. Além de cantora e compositora, era artista plástica.
Em nota, a família resumiu o legado dela:
Por meio de sua voz e de seu ministério, tocou corações, levou esperança e marcou gerações.
Família de Sara Araújo
A cantora Lauriete Rodrigues e o Instituto Hinologia Cristã publicaram mensagens de pesar. Entre os louvores gravados por Sara está Pode Alguém, que segue no canal dela no YouTube.
Análise F5 ao vivo
Sara Araújo gravou disco quando a música evangélica no Brasil ainda era quase só hino de congregação. Abriu uma porta que hoje sustenta uma indústria inteira, e fez isso sem palco de estádio, cantando de igreja em igreja.
O detalhe que mais diz sobre ela não está na discografia. Uma mulher que adotou a filha num orfanato e depois abriu creche e orfanato para outras crianças viveu o que cantava. É esse tipo de testemunho que a igreja brasileira precisa lembrar quando perde uma pioneira.
Fontes: Terra, Correio, Comunhão. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






