B3 perde R$ 734 bilhões em um pregão e tenta se recuperar nesta terça
Empresas listadas na bolsa paulista perderam quase uma Petrobras em valor de mercado na segunda. Nesta terça, o Ibovespa sobe pouco, com Magazine Luiza e Hapvida no alto e Petrobras no vermelho.

As empresas negociadas na B3, a bolsa de valores que fica no centro de São Paulo, perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado em um único dia. O levantamento é da consultoria Elos Ayta e compara o fechamento de sexta-feira (23) com o de segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição de Lula.
O valor somado das companhias caiu de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões, recuo de 12,91%. A perda equivale a 98,4% do valor de mercado da Petrobras, a maior empresa do país.
O que o tombo apagou
Segundo a Elos Ayta, a queda de segunda apagou 75,5% dos R$ 972 bilhões que a bolsa tinha ganhado entre o fim de 2025 e a última sexta. O total ainda está R$ 238 bilhões acima do nível de dezembro, mas ficou R$ 325 bilhões abaixo do registrado em 2 de outubro, antes do primeiro turno.
Dos 76 papéis do Ibovespa, 68 fecharam em queda. Magazine Luiza perdeu 58,23%, Vamos 56,79% e Hapvida 54,93%. Entre os bancos, o Banco do Brasil caiu 29,33%. O índice fechou aos 176.608 pontos, com baixa de 13,88%, e o dólar subiu 8,21%, a maior alta em um dia desde 1999.
A terça na bolsa
Nesta terça (27), o mercado tenta recuperar parte da perda, sem força. Às 10h50, o Ibovespa subia 0,75%, aos 177.929 pontos. Perto das 12h40, a alta tinha encolhido para 0,29%, aos 177.122 pontos, segundo o acompanhamento do InfoMoney.
As ações que mais caíram ontem são as que mais sobem hoje. Magazine Luiza avançava 7,74%, a R$ 5,71, e Hapvida 6,78%, a R$ 4,25, no fim da manhã. O Banco do Brasil chegou a subir mais de 2%. A Petrobras ficou de lado: a ação preferencial recuava perto de 0,5%, com o petróleo em queda lá fora.
O dólar também devolve parte da alta. A moeda, que fechou a segunda a R$ 5,40, era negociada perto de R$ 5,35 no começo da tarde.
O que o mercado espera
Os investidores aguardam o nome do próximo ministro da Fazenda e sinais sobre as contas públicas no quarto mandato. O atual ministro, Dario Durigan, disse que reforçou a Lula a necessidade de dar um sinal ao mercado e que o governo tem medidas prontas, entre elas uma ligada ao centro da meta fiscal. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, aparece entre os nomes citados para o cargo.
Análise F5 ao vivo
R$ 734 bilhões não somem só da tela do operador da Faria Lima. Estão em fundo de previdência e em fundo de investimento de quem guardou dinheiro a vida inteira. Quando a bolsa paulista perde quase uma Petrobras em um dia, quem paga é também o pequeno investidor.
A recuperação tímida desta terça mostra que o mercado não está apostando em volta rápida. O recado é claro: falta dizer quem vai cuidar do dinheiro público e como. Enquanto o governo não der esse nome e esse plano, cada pregão vai cobrar a conta da dúvida.
Fontes: Exame, CNN Brasil, InfoMoney, Money Times. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






