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Flávio saiu do Brasil? Argentina diz que não há registro e boato do jatinho perde força

Jornal argentino falou em voo privado de Puerto Iguazú para os EUA. A migração argentina diz que ele não entrou no país, a campanha nega e um vídeo antigo de maio voltou a circular como se fosse de agora.

Por Redação F5 ao vivo
Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, em Misiones, na Argentina
Aeroporto de Puerto Iguazú, de onde o jornal argentino disse que sairia o voo Foto: Felviper (CC BY-SA 4.0)

A pergunta que mais circulou nas redes nesta terça-feira (27) foi uma só: Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil? Até a publicação deste texto, não há nenhuma confirmação de que o senador tenha saído do país. O que existe é uma reportagem argentina escrita no condicional, negada pela migração do país vizinho e pela campanha.

Como o boato começou

Na manhã de terça, o jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina usando apenas a carteira de identidade e que seguiria para os Estados Unidos num avião particular. Segundo o jornal, a decolagem estava marcada para as 2h, no horário local, do aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones.

O texto cita um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa argentina Baires Fly, que teria pedido liberação de alfândega e migração para quatro passageiros e três tripulantes. O próprio Infobae não afirma ter visto o senador nem confirma a viagem.

O pano de fundo

O boato pegou porque chegou um dia depois de uma decisão real. Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou Flávio entregar os passaportes comum e diplomático em 24 horas e o proibiu de deixar o país. Na segunda (26), o senador gravou vídeo contando que agentes da PF o abordaram na rua, em Brasília.

Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração

Flávio Bolsonaro, em vídeo na segunda-feira (26)

Na sexta (23), Eduardo Bolsonaro tinha sugerido num podcast americano que o irmão saísse do Brasil se perdesse a eleição. Segundo a Bloomberg Línea, foi essa fala que motivou a ordem de Moraes.

O que a Argentina respondeu

A Dirección Nacional de Migraciones informou que não registra a entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina. O órgão disse ainda que a papelada da empresa aérea estava em ordem e que nenhum plano de voo apresentado tinha integrantes da família Bolsonaro.

A Presidência argentina também negou. Segundo a Bloomberg, o porta-voz do governo Milei disse que o senador não entrou em território argentino e que nenhum voo com aquelas características decolou para os EUA. Em entrevista coletiva, o governo acrescentou que Flávio não pediu asilo.

Segundo o jornal El Litoral, que cita a polícia aeroportuária argentina, o jato pousou em Iguazú vindo de Buenos Aires às 23h45 de segunda, mas não decolou de madrugada porque faltava um passageiro. A polícia de Misiones informou que o avião continuava no aeroporto.

O que dizem a campanha e a PF

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse ao Metrópoles que o senador não saiu do país. Aliados afirmam que a saída nunca foi cogitada, mas não informaram onde ele está.

A Jovem Pan apurou que a PF acionou autoridades argentinas para checar a informação e que não há registro de Flávio nos postos migratórios regulares do Brasil. A PF não se manifestou oficialmente.

O vídeo antigo

Para engrossar o boato, um vídeo com a legenda "Fuga ou visita ao irmão?" voltou a circular. Segundo a checagem do Aos Fatos, é uma reportagem da TVT News de 25 de maio de 2026, sobre a viagem de Flávio a Washington para se encontrar com Donald Trump. Não tem relação com o pós-eleição.

Análise F5 ao vivo

O caso mostra como um texto no condicional vira certeza em poucas horas. A reportagem argentina dizia que Flávio teria saído. Nas redes, o "teria" sumiu, e um vídeo de maio foi usado como prova. Até agora, todos os órgãos que poderiam confirmar a saída disseram que não há registro.

Também vale lembrar a origem de tudo: uma proibição de sair do país decidida por um ministro do STF a partir da fala de um irmão num podcast. Medida cautelar contra quem não fez nada deveria ter base concreta e passar pelo Ministério Público, que é quem acusa (art. 129 da Constituição). Sem isso, a restrição alimenta exatamente o clima de desconfiança que gerou o boato.

Enquanto o senador não aparece em público, a dúvida vai seguir rendendo. O F5 atualiza se a PF ou o próprio Flávio se manifestarem.

Fontes: Infobae, El Litoral, Bloomberg Línea, Jovem Pan, Aos Fatos, ND Mais. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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